Cenários de protesto: Mobilização e espacialidade no ciclo de confronto de junho de 2013

A presente tese tem o intuito de apresentar o ciclo de confrontos em junho de 2013 sob uma ótica específica: a espacialidade dos protestos. Os objetivos são, portanto, dar conta de uma importante carência na teoria dos movimentos sociais que só lateralmente tem tratado a questão do espaço e sua infl...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Souza, Rafael de
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2018
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-12032019-123654
Acceso en línea:http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-12032019-123654/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Confrontations
Confrontos
Espaço público
June 2013
Junho 2013
Manifestação popular
Popular manifestation
Protestos
Protests
Public space
Descripción
Sumario:A presente tese tem o intuito de apresentar o ciclo de confrontos em junho de 2013 sob uma ótica específica: a espacialidade dos protestos. Os objetivos são, portanto, dar conta de uma importante carência na teoria dos movimentos sociais que só lateralmente tem tratado a questão do espaço e sua influência no volume e caracterização dos eventos de protesto. Outro objetivo é mais restrito e limitado. Os confrontos em junho de 2013 tomaram de assalto as ruas das cidades brasileiras e invadiram todos os espaços físicos possíveis no intuito de celebrar a revolta do poder popular contra tudo isso que estava aí. Parte das análises adotou o espaço como fator decisivo na formação de eixos de motivação para os manifestantes. O direito à cidade apareceu como ponto motivador para os atores coletivos presentes no ciclo de junho. A tese não rejeita essa hipótese, mas acredita que ela deva ser qualificada. Isso porque o espaço físico é formado segundo os mais variados padrões urbanos no Brasil. Existem diversos brasis urbanos. E, dentro dessa diversidade, é fundamental olhar para o trivial da cena do protesto. Isto é, todo protesto é realizado em um lugar. Lugar, com traços e características específicas. No espaço físico onde se encontram manifestantes vestidos com os mais diversos matizes verde-amarelos, vermelhos e o punk anarquista também interagem cidadãos comuns, jornalistas, policiais e autoridades políticas. Isto é, se a espacialidade do protesto importa para além da formação das carências urbanas, de que modo esses espaços influenciam os ativistas nas tomadas de decisão? Quais mecanismos favorecem ou impedem a mobilização em determinados espaços físicos dentro das cidades? A hipótese da tese é de que é possível identificar cenários políticos definidos por práticas socioespaciais que conectam os atores políticos. Fez-se uso tanto de material da imprensa da época, dando um tratamento qualitativo, como também de abordagens metodológicas quantitativas, a fim de traçar o processo de difusão do ciclo de confrontos e sua relação com os espaços, a Análise de Eventos de Protesto (AEP) foi mobilizada. Entre os achados está a identificação de dois cenários definidos de protesto. Até 2013, a cidade de São Paulo era marcada pela existência de dois tipos de cenários de mobilização e protesto: cenários de negociação (com a presença de sindicatos, socialistas outros atores na região central) e cenários de confronto e pressão (tanto autonomistas quanto socialistas fazendo uso do vetor sudoeste da cidade). Esses cenários foram fundamentais na criação de laços e alianças e, portanto, fundamentais para a evolução do ciclo de junho de 2013. Ao contrário de determinadas narrativas, os espaços ativados em junho não podem ser caracterizados como novos. Os protestos recuperaram as ocupações em cenários estabelecidos de protesto.