Nietzsche: do eterno retorno do mesmo à transvaloração de todos os valores

A presente tese de doutorado investiga como, na hipótese cosmológica do eterno retorno do mesmo, ou seja, na possilidade de uma eternidade temporal, Nietzsche julgou encontrar uma nova medida de valor para realizar a transvaloração de todos os valores. Para isso, foi necessário estudarmos a formação...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Rubira, Luís Eduardo Xavier
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2009
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-29102009-160946
Acceso en línea:http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-29102009-160946/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Eternidade temporal
Nietzsche
Tempo - Filosofia
Temporal eternity
Time - Philosophy
Valores - Filosofia
Values - Philosophy
Descripción
Sumario:A presente tese de doutorado investiga como, na hipótese cosmológica do eterno retorno do mesmo, ou seja, na possilidade de uma eternidade temporal, Nietzsche julgou encontrar uma nova medida de valor para realizar a transvaloração de todos os valores. Para isso, foi necessário estudarmos a formação da noção de valor em seu pensamento. Por meio dela buscamos compreender que, ao diagnosticar a morte de Deus, sua atenção estava concentrada, fundamentalmente, na perda da medida de valor que determinava todos os valores até então existentes. E se, por um lado, a desvalorização dos valores, e o consequente avanço do niilismo, serão seus alvos de preocupação e crítica, por outro, é o anelo incondicional ao pensamento do eterno retorno, dependente de uma adesão ao amor fati, que forma sua filosofia da afirmação. Considerando que a hipótese cosmológica do eterno retorno trata de uma eternidade no tempo, analisamos inicialmente a relação entre tempo e eternidade no contexto da história da filosofia. O percurso dos gregos antigos até Kant torna possível compreender como a reflexão ocidental passa a orbitar em torno da eternidade atemporal. De outra parte, é somente a fundação e o desenvolvimento da termodinâmica que reacende a discussão, presente já no pensamento grego antigo, sobre se o curso do mundo é ou não cíclico. Uma vez que Nietzsche toma partido neste debate para pensar uma nova medida para os valores, procuramos estudar a gênese da noção de valor nas obras que precedem a anotação realizada sobre o eterno retorno em agosto de 1881. Desenvolvida a partir de uma reflexão que pensa a constituição da moral, a noção de valor atinge uma radicalidade maior do que em Adam Smith no âmbito da economia política. Buscando sustentar que o pensamento do eterno retorno é a condição de possibilidade da transvaloração, investigamos o conjunto dos escritos de Nietzsche compreendidos entre 1881 e 1888. Analisando o modo como o tema se manifesta na obra publicada e nos fragmentos póstumos, procuramos mostrar que a hipótese cosmológica do retorno tanto possibilita a criação de novos valores quanto coloca o problema do eterno retorno do niilismo. Por fim, preocupamo-nos em reconstituir o itinerário da reflexão de Nietzsche para pensar por que, somente no derradeiro ano de sua filosofia, ele leva a termo a tarefa da transvaloração de todos os valores.