A poética da diáspora de Fádia Faqir, uma filha de Allah
Ao nos decidirmos, inicialmente, por um levantamento arqueológico de mulheres escritoras árabes/muçulmanas para uma escolha posterior de obras que nos levassem a um maior conhecimento dessa literatura, deparamos com a escassez de traduções e publicações no Brasil, em comparação com o grande número e...
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| Tipo de documento: | dissertação |
| Estado: | Versão publicada |
| Data de publicação: | 2020 |
| País: | Brasil |
| Recursos: | Universidade Estadual Paulista (UNESP) |
| Repositório: | Repositório Institucional da UNESP |
| Idioma: | português |
| OAI Identifier: | oai:repositorio.unesp.br:11449/192723 |
| Acesso em linha: | http://hdl.handle.net/11449/192723 |
| Access Level: | Acceso aberto |
| Palavra-chave: | Literatura de mulheres árabe/muçulmanas Literatura diaspórica Fádia Faqir Ginocrítica Literature of Arab/Muslim women Diasporic literature Gynocriticism |
| Resumo: | Ao nos decidirmos, inicialmente, por um levantamento arqueológico de mulheres escritoras árabes/muçulmanas para uma escolha posterior de obras que nos levassem a um maior conhecimento dessa literatura, deparamos com a escassez de traduções e publicações no Brasil, em comparação com o grande número existente em outros países, principalmente da Europa e da América do Norte. Acreditamos que isso se deva a maior presença dessas mulheres escritoras em tais continentes, gerando um fascínio pelo exótico, mas também um misto de atração e repulsão, sempre acompanhado de estereótipos, já enraizados pelo orientalismo. No Brasil, no entanto, salvo raras exceções, as editoras voltaram-se quase que exclusivamente para as autobiografias de mulheres que tecem duras críticas aos seus países de origem, às suas leis, à situação e normas de conduta para as mulheres, na maioria restritivas e opressoras, reafirmando uma imagem já impregnada de preconceitos. Vemos assim que a oferta de publicações em nosso país também nos impede uma visão mais abrangente e nos força a ratificar impressões essencialistas que em nada contribuem para o conhecimento e possível fruição da literatura produzida por essas mulheres, agora veladas, inclusive, por questões mercadológicas que camuflam e perpetuam as mesmas visões engessadas. Na tentativa de fugir desses relatos, sempre carregados de perseguição e dor, priorizamos para o nosso estudo o romance Meu nome é Salma, da autora jordaniano-britânica Fadia Faqir pois sua narrativa, produzida em língua inglesa, envolve outros dilemas, característicos da literatura diaspórica. Paralelamente, por ser o intuito desta dissertação propor um primeiro mapeamento acadêmico no Brasil sobre a produção de autoras árabes/muçulmanas, outras obras entram em diálogo com a obra de Fadia Faqir, procurando identificar possíveis convergências entre elas, sem deixar de observar, naturalmente, a especificidade de cada obra. Partindo de uma perspectiva libertária e procurando verificar as maneiras pelas quais algumas mulheres empregam suas narrativas em transformações de paradigmas discursivos e escópicos que tentam apreender a mulher árabe/muçulmana, veremos também as obras Miragem da autora egípcio-americana Soheir Khashoggi e Vida dupla da autora saudita Rajaa Al-Sanea a fim de verificarmos, como delineado pela ginocrítica de Elaine Showalter, outros fatores que são determinantes literários tão significativos quanto o gênero, pois refletem aspectos culturais fixados nos textos de maneira indelével e suscitam questões fundamentais para a nossa compreensão. Pensamos que através deste exercício crítico que traz essas escritas à tona, poderemos dissipar os arraigados estereótipos e alcançar uma melhor compreensão do mundo islâmico e da mulher muçulmana, muitas vezes exilada, na confluência entre Ocidente e Oriente. |
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