A estrutura do referente ausente como ferramenta do especismo e outras opressões

O conceito de referente ausente pensado por Carol Adams remete-se às ações voltadas para invisibilizar os animais não humanos e toda uma cadeia de violência e exploração por eles sofridas. Tais atitudes vêm consolidar o consumo de proteínas animalizadas e feminilizadas sem que, para tal, o homem se...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Bello, Roberta Alves
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2024
País:Brasil
Institución:Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:www.bdtd.uerj.br:1/22139
Acceso en línea:http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/22139
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Referente ausente
Antropocentrismo
Especismo
Carnismo
Direitos animais
Senciência
Veganismo
Absent referent
Anthropocentrism
Speciesism
Carnism
Animal rights
Sentience
Veganism
CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIA
Descripción
Sumario:O conceito de referente ausente pensado por Carol Adams remete-se às ações voltadas para invisibilizar os animais não humanos e toda uma cadeia de violência e exploração por eles sofridas. Tais atitudes vêm consolidar o consumo de proteínas animalizadas e feminilizadas sem que, para tal, o homem se dê conta da contradição existente entre seus valores morais e o hábito de comer carne. Desse modo, os processos de desnaturação da carne, fragmentação e retalhamento contribuem com o referente ausente, visto que afastam a ideia do animal senciente, e seu sofrimento, do pedaço de carne, já sem história e nem mesmo nome. Assim, também se estabelece, em termos estruturais, o uso da linguagem, que renomeia esses seres e seus pedaços, sendo esta outro mecanismo de distanciamento formatado pelo carnismo. Em linhas gerais, o referente ausente permeia a história da humanidade, no sentido de que o homem, encerrado em seu antropocentrismo, se porta como um grande senhor face à natureza, como se a ela não pertencesse, agindo de maneira tirânica contra quem considera inferior. Nesse sentido, pode-se afirmar que o especismo, o racismo, o sexismo e outras opressões são operadas através de uma mesma estrutura, um mesmo sistema de crenças, que apresenta apenas um modo de ser e de viver (esse do macho, branco, hétero, cis, viril e comedor de carne) e impede o ser humano de enxergar para além dessa ideologia normalizada. Enfim, assumir o princípio da não-violência requer um modo de vida vegetariano, que contesta a objetificação e o domínio dos corpos, bem como rejeita uma cultura baseada na matança e na violência.