O conhecimento do outro por meio da imagem e da tradução
O presente trabalho analisa a formação de identidades culturais a partir da tradução das histórias em quadrinhos. Investigamos como se dá o processo de conhecimento do outro, ou seja, do estrangeiro, no original e na tradução, a partir da relação entre a imagem e o texto presentes na série de quadri...
| Autor: | |
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| Tipo de recurso: | tesis doctoral |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2018 |
| País: | Brasil |
| Institución: | Universidade de São Paulo (USP) |
| Repositorio: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:teses.usp.br:tde-03102018-144630 |
| Acceso en línea: | http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8160/tde-03102018-144630/ |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palabra clave: | Comic book Cultural marker História em quadrinhos Marcador cultural Tradução Translation |
| Sumario: | O presente trabalho analisa a formação de identidades culturais a partir da tradução das histórias em quadrinhos. Investigamos como se dá o processo de conhecimento do outro, ou seja, do estrangeiro, no original e na tradução, a partir da relação entre a imagem e o texto presentes na série de quadrinhos francesa Le photographe. A obra, que mescla texto, desenhos e fotografias, foi composta por três autores, a saber: Emmanuel Guibert, quadrinista responsável pelos desenhos, Didier Lefèvre, fotojornalista autor das fotografias, e Frédéric Lemercier, editor encarregado da diagramação das páginas. Dividida em três volumes, a série resulta do trabalho desenvolvido por Lefèvre junto à organização Médicos Sem Fronteiras, que o contratara para cobrir uma missão da instituição no Afeganistão em 1987, durante a guerra desse país contra a U.R.S.S. Publicados na França entre 2003 e 2006 e no Brasil de 2006 a 2010, respectivamente, Le photographe e O fotógrafo constituem um rico material para análise graças à simultaneidade de discursos: o documental e o quadrinístico, tendo em vista a representação da cultura do outro, isto é, do povo afegão, em dois contextos socioculturais distintos: o francês, no original, e o brasileiro, na tradução. Apresentamos algumas características acerca da composição da obra, em que o uso das fotografias em conjunção com os desenhos revela o desenvolvimento de um estilo inovador no contexto da linguagem dos quadrinhos. Isso fica evidente quando analisamos os trabalhos de teóricos que já investigaram a constituição da narrativa quadrinística, como os de Eco ([1965]2008) e McCloud (2005), trabalhos nos quais se destaca a questão da relação de continuidade entre os quadros e as páginas. Nosso trabalho, contudo, expande essas reflexões e propõe uma nova perspectiva de análise da enunciação das histórias em quadrinhos, pois observamos a constituição de uma unidade entre os signos no nível da leitura, que chamamos de unidade plurissemiótica, elemento que influencia o processo de tradução dessa forma de linguagem. Como a representação da cultura do outro se configura a partir da relação de complementaridade entre fotografia, desenho e texto, a análise da tradução dessa obra põe em relevo questões como a alteridade, a identidade, o contraste e a semelhança entre as três culturas envolvidas na criação e leitura da obra: a francesa, a afegã e a brasileira. Nesse sentido, exploramos as contribuições de diversos estudiosos que se dedicaram à investigação da representação cultural na tradução, dentre eles Venuti (1998) e Aubert (2006), para chegarmos à concepção das noções de marcador cultural verbal, icônico e verbo-icônico, tendo em vista a especificidade do processo de tradução dos quadrinhos. As análises realizadas partem da relação de complementaridade entre os códigos verbal e imagético e de como essa relação entre os signos constrói um conhecimento sobre o outro no original, que se transforma na tradução; dessa forma, o desenvolvimento de conceitos específicos relacionados a esse tipo específico de tradução, como a unidade plurissemiótica e os marcadores culturais verbais, icônicos e verboicônicos, coloca em relevo a sua singularidade. |
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