Espinosa e a tradição melancólica

Desde o Problema XXX, atribuído a Aristóteles, uma longa tradição de filósofos, artistas e escritores vê a melancolia como afeto positivo ligado ao “homem de gênio” e à criação intelectual em geral. Do ponto de vista da teoria dos afetos de Espinosa, o problema da melancolia coloca um outro: como é...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Paula, Marcos F. de
Tipo de documento: artigo
Estado:Versão publicada
Data de publicação:2008
País:Brasil
Recursos:Universidade de São Paulo (USP)
Repositório:Cadernos Espinosanos (Online)
Idioma:português
OAI Identifier:oai:revistas.usp.br:article/89333
Acesso em linha:https://revistas.usp.br/espinosanos/article/view/89333
Access Level:Acceso aberto
Palavra-chave:Melancholy
Criation
Joy
Euphoria
Desire.
Melancolia
Criação
Alegria
Euforia
Desejo.
Descrição
Resumo:Desde o Problema XXX, atribuído a Aristóteles, uma longa tradição de filósofos, artistas e escritores vê a melancolia como afeto positivo ligado ao “homem de gênio” e à criação intelectual em geral. Do ponto de vista da teoria dos afetos de Espinosa, o problema da melancolia coloca um outro: como é possível que de uma tristeza profunda possa nascer a atividade intectual, artística, literária? Toda atividade é uma produção, uma alegria, aumento da potência de agir e pensar: como ela poderia nascer da melancolia? Nossa hipótese é que o problema se explica pela “alegria eufórica”, a outra face da melancolia, que nasce como reação do desejo contra a própria tristeza. Por ser alegria, afasta a tristeza profunda; mas por ser eufórica, mantém o “melancólico” preso à sua própria doença. Assim, a reação não cura o “doente” de seu “mal”, o mantém num círculo interminável de euforia e estado melancólico.