Correndo para o Abraço: Wilhelm Reich e o Brasil entre a peste e a potência

Na forma de um ensaio teórico, este estudo procura contribuir para o que pode ser considerada uma psicologia de massa brasileira, nos moldes propostos pelo psicanalista, psiquiatra e pesquisador austríaco Wilhelm Reich (1897-1957). Compreendida como o estudo da ideologia e das subjetividades (que el...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Almeida, Gabriel Puopolo Alves de
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-22082025-201246
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47134/tde-22082025-201246/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Brasil
Brazil
Decolonialidade
Decoloniality
Orgastic potency
Political psychology
Potência orgástica
Psicologia política
Wilhelm Reich (1897-1957)
Descripción
Sumario:Na forma de um ensaio teórico, este estudo procura contribuir para o que pode ser considerada uma psicologia de massa brasileira, nos moldes propostos pelo psicanalista, psiquiatra e pesquisador austríaco Wilhelm Reich (1897-1957). Compreendida como o estudo da ideologia e das subjetividades (que ele denomina estrutura de caráter) de uma dada sociedade em um determinado período histórico, a Psicologia Política reichiana se apresenta como um caminho ou método para a análise de outras sociedades. Assim, tendo como foco principal a noção de potência orgástica, na forma como fora concebida por Reich, a intenção deste ensaio é a de articular essa noção à perspectiva de uma dupla consciência, própria aos povos e países formados como resultado do empreendimento moderno de colonização. Também, foi realizada uma investigação sobre os fundamentos teóricos e epistemológicos da noção de potência no pensamento de Reich, seguida de um exame crítico dessa noção, tendo como eixo o debate a respeito da ideia de encontros potentes. Assim, foi possível ingressar para o campo de pensamento crítico da decolonialidade. Antes, porém, criou-se o panorama teórico, histórico e epistêmico sobre o qual a crítica decolonial se assenta, para então mobilizar a obra do também psiquiatra e pensador Frantz Fanon na direção de uma certa descolonização do pensamento reichiano. O diálogo teórico entre Reich e Fanon permitiu tecer comentários sobre a constituição subjetiva e as sociabilidades produzidas pelo tensionamento entre as perspectivas do colonizado e do colonizador, próprias aos países que surgiram do projeto colonial. A análise sobre o campo representacional da peste-potência no Brasil se deu por intermédio de um importante fenômeno cultural brasileiro: o futebol, que serviu de campo de reflexão concreta a respeito do que nos faz ou não correr para o abraço. Entende-se que o racismo moderno colonial se faz presente no campo cultural brasileiro sob a forma de um não reconhecimento da viabilidade do povo e do próprio país no concerto das nações, de modo que as representações a respeito do nosso futebol servem tanto como um véu que encobre nossas desigualdades, sob o mito de uma democracia racial, como também podem servir como um poderoso operador do vínculo entre o Brasil e si mesmo, assim como do povo brasileiro entre si, configurando assim o circuito peste-potência. Esse circuito, por sua vez, vem se agravando para o polo pestilento, devido às influências exercidas pelo neoliberalismo. Produzindo subjetividades unidimensionais e estabelecendo uma sociabilidade concorrencial, o neoliberalismo vem provocando o desencanto do futebol e, consequentemente, do Brasil. Sem a pretensão de apresentar uma conclusão decisiva sobre o tema, este ensaio tem como principal objetivo a criação de uma base teórica para futuras pesquisas sobre a sociologia reichiana e a realidade brasileira.