| Sumario: | Neste artigo, analisamos a corrupção expressa nas relações pessoais presentes na tragédia shakespeariana Hamlet. Essa peça, caracterizada por Heliodora (1998) como uma tragédia de vingança, enfoca o Rei Cláudio, que após cometer regicídio, sendo ele do próprio irmão, casa-se com a cunhada,iniciando, assim, uma cadeia de corrupções envolvendo várias personagens da peça.Cada ato dele tem como objetivo o de firmar seu reinado e livrar-se do sobrinho Hamlet, seu principal opositor. A corrupção, para Bezerra (1995), instaura-se quando a esfera pública é usada para benefício individual. Diferentemente do que se espera de um rei, Cláudio é egoísta e dissimulado, é a expressão máxima do corrupto(r): ele manipula, intimida e instiga os desejos alheios com a intenção de beneficiar-se. Várias imagens, como a escuridão, o veneno, a podridão e a sujeira, presentes na peça, são uma referência à corrupção que apodrece as relações e o reino como um todo. Por julgarmos que a obra de Shakespeare é suficientemente rica em significados, nossa análise centrou-se nos diálogos entre as personagens da tragédia.
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