Língua, história e subjetividade na perspectiva de representantes da filosofia da linguagem do Leste e do Oeste europeu

A presente pesquisa investiga de que forma a Filosofia da linguagem nas primeiras décadas do século XX mantém seu foco sobre as relações entre língua, história e subjetividade. Para isso, realizamos a leitura de dois expoentes dos estudos da linguagem no Oeste e no Leste europeu. Os estudos do lingu...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Lenz, Cristiane
Tipo de documento: tese
Estado:Versão publicada
Data de publicação:2023
País:Brasil
Recursos:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Repositório:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS
Idioma:português
OAI Identifier:oai:www.lume.ufrgs.br:10183/259191
Acesso em linha:http://hdl.handle.net/10183/259191
Access Level:Acceso aberto
Palavra-chave:Vossler, Karl, 1872-1949
Volóchinov, V. N. (Valentin Nikoláievitch) , 1895-1936
Filosofia da linguagem
Estudos da linguagem
Language
History
Subjectivity
Philosophy
Descrição
Resumo:A presente pesquisa investiga de que forma a Filosofia da linguagem nas primeiras décadas do século XX mantém seu foco sobre as relações entre língua, história e subjetividade. Para isso, realizamos a leitura de dois expoentes dos estudos da linguagem no Oeste e no Leste europeu. Os estudos do linguista alemão Karl Vossler são pioneiros no contexto do Oeste europeu na medida em que colocam em destaque a língua em suas relações com a subjetividade e com a história cultural de uma comunidade, o que envolve pensar em um conceito específico de gramática e de língua em relação à questão nacional. Realizamos a leitura da obra de Vossler (1951; 1963; 2015) com vistas às suas reflexões sobre a língua em relação com a história cultural e com a ideia de comunidade linguística, o que nos leva a compreender de que modo Vossler concebe a subjetividade na língua. Além disso, as considerações de Vossler sobre a gramática permitem delinear o conceito de língua em seu pensamento. O linguista russo Valentin Volochinov desenvolve, em sua obra Marxismo e Filosofia da Linguagem (2018), um conceito material de língua que se sustenta sobre a perspectiva do signo ideológico. O autor constrói uma teoria que problematiza os estudos da linguagem sob uma perspectiva materialista, conferindo à língua um estatuto ideológico, e a colocando em relação com o que é de ordem social e histórica. Ao construir a sua tese, Volochinov faz uma crítica a duas tendências do pensamento filosófico-linguístico. Entre elas, o autor denomina o subjetivismo individualista como a primeira tendência, que teria Vossler como um dos seus maiores representantes. Diante disso, é preciso considerar as condições históricas de produção das obras acima relacionadas. Por isso, em um capítulo de abertura, exploramos teoricamente o conceito de condições de produção sob a ótica de Michel Pêcheux (2009), (2010) e de Jean Jacques Courtine (2009). Na abertura dos capítulos dois e três, há uma seção que investiga as condições de produção das obras de Vossler e de Volochinov, respectivamente. A partir dessas seções, os capítulos desenvolvem os principais aspectos que norteiam o pensamento filosófico-linguístico de cada autor. Assim, propomos como pilares as obras de Vossler e de Volochinov para investigar de que forma as relações de constituição entre língua e história permeiam as obras desses autores, considerando as especificidades do pensamento de cada um deles. Com base na pesquisa conduzida, sustentamos que as obras de Volochinov e de Vossler, apesar das divergências, representam uma ampla parte do pensamento filosófico-linguístico do Leste e do Oeste europeu. Além disso, as nossas leituras sugerem a necessidade de que a Linguística mantenha sempre sua perspectiva em bases filosóficas e materialistas, na medida em que estas possibilitam uma investigação da língua sob o ponto de vista de suas relações com a história.