A batalha pela Patagônia Chilena : o processo de formulação e operação das críticas ao projeto hidrelétrico "HidroAysén" e a construção de um conflito ambiental
Esta pesquisa analisa o processo de constituição do conflito ambiental em torno ao Projeto Hidrelétrico HidroAysén (PHA), proposto para Região de Aysén, Patagônia chilena. O consórcio conformado em 2006 pela empresa hispano-italiana, ENDESA (51%) e a chilena Colbún (49%), propõe a construção de um c...
| Autor: | |
|---|---|
| Tipo de recurso: | tesis de maestría |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2014 |
| País: | Brasil |
| Institución: | Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) |
| Repositorio: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:www.lume.ufrgs.br:10183/104892 |
| Acceso en línea: | http://hdl.handle.net/10183/104892 |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palabra clave: | Política energética Recursos energéticos Conflito ambiental Impacto ambiental Sociologia ambiental Sociologia rural Hidrelétricas Setor energético Projeto Hidrelétrico HidroAysén (PHA) Patagônia (Argentina e Chile) Environmental conflict Chilean Patagonia Schemes of action HidroAysén Constructionismo |
| Sumario: | Esta pesquisa analisa o processo de constituição do conflito ambiental em torno ao Projeto Hidrelétrico HidroAysén (PHA), proposto para Região de Aysén, Patagônia chilena. O consórcio conformado em 2006 pela empresa hispano-italiana, ENDESA (51%) e a chilena Colbún (49%), propõe a construção de um complexo hidrelétrico de cinco represas nos rios Baker e Pascua. Desde seu anúncio, o projeto foi alvo de controvérsia quanto aos possíveis impactos e denúncias de falências no estudo de impacto ambiental. Sob a reivindicação de uma “Patagônia Sem Represas”, um amplo movimento opositor ao PHA organizou-se impulsionando o debate, impedindo o andamento do empreendimento por via judicial e obtendo um relativo sucesso em termos de repercussão e adesão à “causa”. Neste cenário, o objetivo geral do estudo é compreender de que forma uma demanda transcende o local para se tornar uma demanda nacional. Deste modo, a partir da perspectiva teórica-epistemológica de Luc Boltanski (2010) e colaboradores articulada à síntese construcionista de John Hannigan (2009) investigam-se as ações e mobilizações coletivas e individuais contrárias ao PHA. Para tanto, priorizou-se decompor o fio das ações, identificando os agentes engajados (conservacionistas, produtores rurais, ONG’s, entre outros), apresentando a experiência negociada na convergência de um interesse em comum e evidenciando os objetos em que estes se apóiam para formular e referendar a validade de suas argumentações. A pesquisa de campo foi realizada entre maio e agosto de 2013, em Santiago do Chile e em quatro localidades adjacentes ao projeto em Coyhaique, Cochrane, Caleta Tortel e Villa O’Higgins, utilizando-se uma combinação de procedimentos qualitativos, como: observação, entrevistas narrativas episódicas de Flick (2008), fotografia, pesquisa documental e diário de campo. Como resultado, observou-se que as competências emergem de três situações: 1) da necessidade de instaurar a Patagônia como um bem comum por meio de uma qualificação ambiental das justificativas, colocando-a sistematicamente como algo importante para as futuras gerações; 2) das percepções quanto ao PHA, onde se destaca a disputa sobre quem são os “atingidos”; 3) e do embate entre o que é planejado localmente e o que é imposto sob égide do “desenvolvimento”. O estudo de tais competências permitiu caracterizar a tendência das ordens de justificação evocadas pelos agentes contrários ao PHA em críticas: a) ambiental e estética; b) ambiental e social; c) críticas às práticas da empresa ao modelo desenvolvimento. Por outro lado, apresentam-se as justificativas acionadas pelo ente criticado e pelo pólo favorável ao PHA: a) projeto país; b) desenvolvimento e progresso regional e nacional; e c) críticas ao ambientalismo. Por fim, averiguou-se a existência de todos os elementos necessários para a construção bem sucedida de um problema ambiental conforme os fatores elencados por Hannigan (2009). Contudo, considerou-se precipitado afirmar que a presença destes elementos são as condicionantes que tornam este conflito excepcional, ficando o indicativo da importância da realização de futuros estudos em perspectiva comparada de conflitos ambientais para maiores inferências. |
|---|