Padrões morfológico-evolutivos em espécies subterrâneas de Ituglanis Costa & Bockmann, 1993 (Siluriformes: Trichomycteridae)
Um dos principais objetivos da Biologia Subterrânea é identificar e entender as modificações morfológicas apresentadas pelos organismos subterrâneos que podem ser relacionadas a seu modo de vida. No presente trabalho, realizamos essa investigação utilizando como modelo as espécies subterrâneas de It...
| Autor: | |
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| Formato: | tesis de maestría |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2014 |
| País: | Brasil |
| Recursos: | Universidade de São Paulo (USP) |
| Repositorio: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:teses.usp.br:tde-03122014-102408 |
| Acesso em linha: | http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59139/tde-03122014-102408/ |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palavra-chave: | Espeleobiologia Ictiofauna subterrânea Speleobiology Subterranean ichthyofauna Troglóbios Troglobites Troglomorfismo Troglomorphism |
| Resumo: | Um dos principais objetivos da Biologia Subterrânea é identificar e entender as modificações morfológicas apresentadas pelos organismos subterrâneos que podem ser relacionadas a seu modo de vida. No presente trabalho, realizamos essa investigação utilizando como modelo as espécies subterrâneas de Ituglanis Costa & Bockmann, 1993 (Siluriformes: Trihomycteridae). Atualmente são conhecidas sete espécies subterrâneas do gênero, as quais se distribuem em regiões geográficas muito próximas entre si, as áreas cársticas de São Domingos e de Mambaí e Posse, no nordeste do estado de Goiás. Analisamos caracteres externos (tamanho e alonga-mento corporal, nadadeiras pares e pigmentação) e sensoriais (olhos, barbilhões, sistema láte-rosensorial e encéfalo), e identificamos tendências de modificação em todos eles. As espécies subterrâneas de Ituglanis tendem a apresentar: alongamento do corpo e, nas espécies que tran-sitam ou ocupam espaços confinados, redução do tamanho corporal; nadadeiras peitorais mais longas e com mais raios, e as pélvicas reduzidas; pigmentação reduzida, os cromatóforos me-nos abundantes e com formas irregulares; olhos menores, deformados, assimétricos e encober-tos por pele; barbilhões bem desenvolvidos, os maxilares mais longos; sistema láterosensorial de canais fragmentado e reduzido, com grande variabilidade e assimetria; e o encéfalo com lobos vagais e faciais desenvolvidos, lobos ópticos reduzidos e aumento do tamanho do cere-belo, da bexiga natatória e dos canais semicirculares do ouvido interno. Muitas dessas caracte-rísticas já haviam sido observadas em espécies subterrâneas de outros grupos de peixes, suge-rindo que elas de fato estejam relacionadas a esse modo de vida. Nem todas as espécies sub-terrâneas de Ituglanis apresentam todas as características em um mesmo grau, de forma que é possível dividi-las entre as menos troglomórficas, Ituglanis sp. 1 e I. mambai, as intermediá-rias, Ituglanis sp. 2 e I. bambui, e as mais troglomórficas, I. passensis, I. ramiroi e I. epikars-ticus. A grande variabilidade tanto intra- quanto interespecífica sugere que essas característi-cas evoluem em mosaico, corroborando hipóteses anteriores de colonização independente do ambiente subterrâneo por cada uma das espécies. As modificações identificadas podem ser divididas em progressivas e regressivas, e discutimos os mecanismos evolutivos que explicam seu surgimento nas espécies subterrâneas. A evolução de características que conferem vanta- gem evolutiva é explicada por mecanismos de seleção natural direta, enquanto que os caracte-res regressivos que não apresentam vantagem ou desvantagem óbvia se encaixam em cenários de evolução neutra. Algumas das características das espécies subterrâneas são típicas de indi-víduos em estágios iniciais de desenvolvimento, o que sugere que a heterocronia pode ter um papel importante na evolução do troglomorfismo. Além disso, a linhagem a que pertencem as espécies subterrâneas apresenta características consideradas preaptativas para o modo de vida subterrâneo, o que favoreceria o desenvolvimento desse modo de vida repetidas vezes na fa-mília Trichomycteridae e, mais especificamente, no gênero Ituglanis. |
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