Pierre de Coubertin e os primeiros Jogos Olímpicos entre exposições internacionais, imperialismos e modernidades (1894-1912)

As Exposições Internacionais e os Jogos Olímpicos modernos, eventos do final do século XIX e início do século XX, atuaram como vitrines da superioridade técnica, cultural e política das potências ocidentais, promovendo discursos de progresso e civilização. No entanto, essa intersecção entre eventos...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Negreiros, Carlos Eugênio da Silva
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Institución:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:www.lume.ufrgs.br:10183/292689
Acceso en línea:http://hdl.handle.net/10183/292689
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Coubertin, Pierre de, 1863-1937
Jogos olímpicos
Modernidade
International exhibitions
Modern Olympic Games
Pierre de Coubertin
Modernity
Imperialism
Descripción
Sumario:As Exposições Internacionais e os Jogos Olímpicos modernos, eventos do final do século XIX e início do século XX, atuaram como vitrines da superioridade técnica, cultural e política das potências ocidentais, promovendo discursos de progresso e civilização. No entanto, essa intersecção entre eventos esportivos e exposições ainda é um campo pouco explorado na historiografia. Diante disso, esta pesquisa investiga a relação entre as exposições internacionais e os Jogos Olímpicos entre 1894 e 1912, analisando como esses eventos se influenciaram mutuamente e serviram a projetos políticos e ideológicos específicos. A questão central reside em compreender de que maneira os Jogos de Paris 1900, St. Louis 1904 e Londres 1908, realizados em conjunto com megaeventos internacionais, foram incorporados a um contexto mais amplo de espetacularização da modernidade e reafirmação das hierarquias imperialistas – assim como os Jogos de Atenas 1896 e Estocolmo 1912, que embora tivessem ocorrido fora do contexto expositivo, foram igualmente imbuídos de discursos imperialistas e de modernidade. Para isso, este estudo adota uma abordagem historiográfica fundamentada na tradição dos Annales e na história cultural, articulando análise documental e bibliográfica. A pesquisa examina fontes primárias, como textos de Pierre de Coubertin – o idealizador dos Jogos Olímpicos modernos –, e documentos oficiais das exposições e dos comitês organizadores dos Jogos, além de estudos acadêmicos sobre o tema. Dessa forma, busca-se problematizar as narrativas que legitimaram a integração entre esporte e exposição, evidenciando suas implicações simbólicas e políticas. Ademais, a análise ressalta como o imperialismo europeu influenciou na representação dos povos colonizados (africanos e asiáticos principalmente) durante esse período, tanto nas exposições como nos Jogos, de maneira racializada e exótica, reforçando, assim, noções de superioridade ocidental e dominação colonial. Os resultados indicam que a realização dos Jogos Olímpicos no contexto das exposições internacionais prejudicou a visibilidade do evento esportivo, além de reforçar discursos de dominação, em especial nas representações de atletas não europeus. Enquanto os pavilhões das exposições exibiam as conquistas tecnológicas das potências coloniais, as competições Olímpicas serviam para registrar fisicamente essa hierarquia, relegando atletas coloniais a um lugar de subalternidade. Dessa maneira, a pesquisa contribui para o entendimento das conexões entre modernidade, imperialismo e espetáculo, demonstrando como os Jogos Olímpicos e as exposições internacionais operaram em conjunto na construção de discursos sobre progresso e civilização no início do século XX.