Por uma sociologia dos cérebros, Gabriel Tarde, monadologia e neurohistória

Em seu livro As Leis da Imitação, Gabriel Tarde descreve a imitação como uma ação intercerebral à distância. Pautado numa concepção metafísica particular elaborada a partir da noção de mônada, Tarde desenvolve uma sociologia universal que gira em torno da primazia da possessão enquanto ato constitut...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Villani, Phillip John
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2022
País:Brasil
Institución:Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Repositorio:Repositório Institucional da UFBA
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.ufba.br:ri/41188
Acceso en línea:https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41188
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Sociologia
Gabriel Tarde
Neurociência
Homeostase
Efeito catraca
Intencionalidade compartilhada
Plasticidade
Cosmologia
Neuroscience
Sociology
Homeostasis
Ratchet Effect
Shared intentionality
Plasticity
Cosmology
Descripción
Sumario:Em seu livro As Leis da Imitação, Gabriel Tarde descreve a imitação como uma ação intercerebral à distância. Pautado numa concepção metafísica particular elaborada a partir da noção de mônada, Tarde desenvolve uma sociologia universal que gira em torno da primazia da possessão enquanto ato constitutivo e característico do cosmo. Nesse sentido, a imitação seria mais uma expressão distinta dessa generalidade cosmológica possessiva. Na presente tese, pretendo destacar certas consequências decorrentes da ideia de que a imitação é uma ação intercerebral. Assim sendo, o cérebro, conceituado dentro dessa visão sociológica como possuído por uma carga agencial idiossincrática, será abordado por meio de três dimensões ou escalas de relevância. Na primeira, exponho a relação entre os processos homeostáticos formativos de seres biológicos em geral, e a conexão destes com o surgimento da consciência, pensando especificamente a partir da conformação neuronal do cérebro. Ressalto, sobretudo, a relação entre os sentimentos primordiais que tecem um diálogo constante entre o corpo e o cérebro, e a maneira pela qual esse tecido se reflete nas crenças e nos desejos cuja imitação é facultada pelo cérebro nesta sociologia. Ao tratar da segunda dimensão, expando o foco da escala neuronal da primeira, para retomar o nível propriamente socioantropológico. Busco mostrar o papel basilar do compartilhamento da intencionalidade, - de acordo com a teoria da intencionalidade compartilhada e o efeito catraca a ela atrelada -, na criatividade antropológica enquanto extensão da recursividade de imagens na mente. Tal recursividade conforma um continuum imagético que media tanto a imitação de crenças e desejos quanto as condições de possibilidade da invenção. Argumento que há assim, uma espécie de proto-metáfora como expressão da possessão de imagens na mente, que poderia instanciar a emergência de invenções através da formação de misturas inéditas de imagens. Finalmente, na terceira escala, passo a considerar a plasticidade do cérebro e seu lugar no ambiente cosmológico. A plasticidade seria um fator irredutível na capacidade do cérebro de mediar e transformar suas relações com o ambiente, - pressupondo uma plasticidade recíproca entre ambientes interno e externo. Isto produz certas consequências às quais se dirigiria uma sociologia tardeana dentro de uma espécie de “materialismo histórico” reformado, tratando da coordenação de um ambiente plasticamente constituído e estatisticamente apreendido num tipo de pensamento ecológico. Realizo uma reflexão acerca de certas condições políticas e materiais no sentido dos arranjos social e tecnológico, resultantes dessa plasticidade e da arquitetura da metafísica de Tarde, que se baseia nos dois pilares da diferença e da repetição. Conforme defendo aqui, o problema da coordenação se torna um aspecto programático crucial à formação arquitetônica da sociologia de Tarde.