Recortes literário e biográfico de Monteiro Lobato na defesa da eugenia e do fascismo racial

O presente trabalho tem como objetivo discutir as bases do processo eugênico contra a raça negra, defendidas na obra O presidente negro, de Monteiro Lobato (primeira edição em 1926). A análise da obra realizou-se a partir de defensores da eugenia, dentre eles Renato Kehl, e de trabalhos acadêmicos a...

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Detalles Bibliográficos
Autores: Souza, Regina Maria de, Patriota da Silva, Morena Dolores, Silva, Cristiane Maria da
Tipo de recurso: artículo
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2020
País:Brasil
Institución:Associação Brasileira de Pesquisa (Auto)Biográfica (BIOgraph)
Repositorio:Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:ojs.revistas.uneb.br:article/7148
Acceso en línea:https://www.revistas.uneb.br/index.php/rbpab/article/view/7148
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Biografia
Monteiro Lobato
Eugenia
Descripción
Sumario:O presente trabalho tem como objetivo discutir as bases do processo eugênico contra a raça negra, defendidas na obra O presidente negro, de Monteiro Lobato (primeira edição em 1926). A análise da obra realizou-se a partir de defensores da eugenia, dentre eles Renato Kehl, e de trabalhos acadêmicos atuais que demonstram o tributo deixado pela eugenia no olhar e nas ações voltados à população negra. A conclusão é de que o projeto eugênico, proposto por Francis Galton em 1883, que chegou ao Brasil no início do século XX, mantém-se presente, escancarado no significativo número de negros assassinados no Brasil, em relação ao de brancos; escamoteado em produções acadêmicas e livros didáticos que ainda reverberam e exaltam as ideias de Lobato; mascarado na formação universitária de pesquisadores, no Brasil e no exterior. Formação fragmentada e fragmentária que, sem um olhar histórico diacrônico, acaba por alimentar, em gerações futuras, a crença na possibilidade de uma organização social e instituições sem conflitos, propostas e governadas, em sua maioria, por brancos que ouvem as diferenças, mas não transformam essa audição em escuta que possa romper a lógica de branqueamento e de controle sobre elas.