Função mitocondrial em camundongos e pacientes com defeitos em componentes da biologia dos telômeros

Mutações em genes da biologia dos telômeros, causando o seu encurtamento, são as bases moleculares de um grupo heterogêneo de doenças denominadas telomeropatias. O protótipo das telomeropatias é a disceratose congênita (DC), uma falência de medula óssea, caracterizada por sinais mucocutâneos e anemi...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Santos, André Luiz Pinto
Tipo de documento: dissertação
Estado:Versão publicada
Data de publicação:2018
País:Brasil
Recursos:Universidade de São Paulo (USP)
Repositório:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:português
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-12022019-110525
Acesso em linha:http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17153/tde-12022019-110525/
Access Level:Acceso aberto
Palavra-chave:Mitochondria
Mitocôndria
Telomere
Telômero
Telomeropathy
Telomeropatia
Descrição
Resumo:Mutações em genes da biologia dos telômeros, causando o seu encurtamento, são as bases moleculares de um grupo heterogêneo de doenças denominadas telomeropatias. O protótipo das telomeropatias é a disceratose congênita (DC), uma falência de medula óssea, caracterizada por sinais mucocutâneos e anemia aplástica (AA). Além da DC e AA, a fibrose pulmonar (FP) e a cirrose hepática (CH) também fazem parte do espectro das telomeropatias. Como pulmão e fígado são órgãos com baixa taxa proliferativa, suspeita-se que existe outros componentes celulares interagindo com os telômeros para o estabelecimento dessas doenças. Diferentes abordagens vêm estabelecendo uma relação entre e a biologia dos telômeros e as mitocôndrias. No entanto, ainda não se sabia sobre o funcionamento mitocondrial em células primárias de pacientes com telomeropatias. No nosso estudo, utilizamos fibroblastos dermais de indivíduos saudáveis (n=4) e de pacientes (n=6), diagnosticados com diferentes telomeropatias (AA, DC, FP e CH) e telômeros abaixo do 10º percentil (curtos para a idade). Ao avaliarmos parâmetros mitocondriais, observamos um fenótipo senescente, nas células dos pacientes, que refletiu num aumento na massa mitocondrial (85%), no número de copias de DNA mitocondrial, no consumo de oxigênio (71%) e na produção de superóxidos (74%), precursor das espécies reativas de oxigênio (EROs) mitocondriais. O superóxido levou a um aumento na expressão de antioxidantes, como a SOD1 e a UCP1. Dessa maneira, o estresse oxidativo gerado pelas EROs mitocondriais parece ter um papel fundamental na patogênese das telomeropatias. Além disso, sequenciamos amostras de sangue periférico de outros 72 pacientes com falência medular, com telômeros curtos e normais, para compararmos a taxa de variantes somáticas entre os grupos. Observamos que os pacientes com falência medular e telômeros curtos apresentaram maiores frequências de variantes somáticas. Supomos que o aumento da taxa de variantes somáticas possa ser consequência do desequilíbrio redox, observado nas células dos pacientes, causando danos no DNA das células-tronco hematopoéticas.Estudos como esse podem basear discussões sobre o uso de terapias antioxidantes em pacientes com telomeropatias