Reconstrução paleogeográfica do médio rio Negro durante o Quaternário: uma abordagem geomorfológica-geocronológica

O Rio Negro, principal afluente do Solimões, faz parte da bacia hidrográfica tropical e sustenta um dos ecossistemas mais biodiversos do planeta. Apesar da reconhecida influência da dinâmica fluvial na evolução da paisagem amazônica, a escassez de datações absolutas em depósitos sedimentares limita...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Brito, Renan Cassimiro
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-09102025-072755
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/44/44145/tde-09102025-072755/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Amazon
Amazônia
Datação OSL/IRSL
Depósitos fluviais
Fluvial deposits
Geomorphological mapping
Mapeamento geomorfológico
OSL sensitivity
OSL/IRSL dating
Sensibilidade OSL
Descripción
Sumario:O Rio Negro, principal afluente do Solimões, faz parte da bacia hidrográfica tropical e sustenta um dos ecossistemas mais biodiversos do planeta. Apesar da reconhecida influência da dinâmica fluvial na evolução da paisagem amazônica, a escassez de datações absolutas em depósitos sedimentares limita a compreensão das mudanças paleohidrológicas ocorridas no Quaternário. Esta lacuna dificulta a reconstrução cronológica dos processos geomorfológicos que moldaram os sistemas fluviais da região ao longo dos últimos milhares a centenas de milhares de anos. Este trabalho busca reconstruir a evolução geomorfológica do médio Rio Negro durante o Quaternário tardio e médio (<250 ka) por meio de mapeamento geomorfológico, datação por luminescência (11 amostras) e análise de proveniência sedimentar por sensibilidade de luminescência. Os terraços fluviais apresentaram idades entre 297 ka e 103 ka (quartzo) e 390 ka e 302 ka (feldspato), enquanto as planícies de inundação mostraram idades mais recentes, entre 31 ka e 2 ka. A sensibilidade OSL do quartzo (%BOSL1s) mostrou valores maiores em terraços (20-24%) do que em planícies (36-46%), corroborando a origem andina dos sedimentos com retrabalhamento progressivo para as planícies. Três knick zones no perfil longitudinal do rio Negro associam-se a transições litológicas (terraços fluviais/Suíte Jauaperi) e à presença de megaleques pleistocênicos que forçaram a migração do canal para sudoeste. Nos afluentes do rio Negro, os rios Jaú e Unini, a litologia controlou padrões distintos: trechos meandrantes em rochas menos resistentes (terraços fluviais) alternam com vales confinados em unidades cristalinas (Suíte Jauaperi). A datação de terraços no atual rio Cuiuni (103-328 ka) sugere que a desconexão entre os paleocanais do rio Japurá e o rio Negro ocorreu por volta de 100 ka, causando uma reorganização regional da rede de drenagem do médio Solimões e Negro. Esta reconfiguração hidrográfica pode ter influenciado a delimitação de zonas de endemismo como a Jaú-Negro, controlando ambientes que condicionaram os padrões biogeográficos regionais. Os resultados demonstram que a evolução da paisagem resulta da interação entre controles litológicos e estruturais locais e mudanças climáticas de escala orbital, fornecendo um novo marco cronológico para entender a dinâmica fluvial amazônica e seus impactos na biodiversidade.