Ensino de repertório verbal na educação infantil: um estudo observacional

O desenvolvimento de repertórios verbais é reconhecido como sendo fundamental para a inserção do indivíduo na cultura. Pesquisas têm indicado que existem características de interação adulto-criança, que, quando presentes desde muito cedo, favorecem esse desenvolvimento. A escola é um contexto privil...

Full description

Bibliographic Details
Author: Bettio, Claudia Daiane Batista
Format: master thesis
Status:Published version
Publication Date:2019
Country:Brasil
Institution:Universidade de São Paulo (USP)
Repository:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-16052019-080737
Online Access:http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59134/tde-16052019-080737/
Access Level:Open access
Keyword:Comportamento verbal
Crianças pré-escolares
Early childhood education
Educação infantil
Ensino de repertório verbal
Interação professor-aluno
Preschool children
Teacher-child interaction
Verbal behavior
Verbal repertoire teaching
Description
Summary:O desenvolvimento de repertórios verbais é reconhecido como sendo fundamental para a inserção do indivíduo na cultura. Pesquisas têm indicado que existem características de interação adulto-criança, que, quando presentes desde muito cedo, favorecem esse desenvolvimento. A escola é um contexto privilegiado para que a criança desenvolva repertórios verbais. No Brasil, a educação infantil objetiva promover o desenvolvimento integral (inclusive da linguagem) de crianças de 0 a 5 anos. Por isso, um dos objetivos deste estudo foi averiguar a presença de condições estruturais e de interação (adulto-criança), que a literatura destaca como sendo importantes para a aprendizagem da linguagem por crianças, em escolas municipais de educação infantil. Além disso, objetivou-se comparar essas mesmas condições em turmas de educação infantil com faixas etárias diferentes (de aproximadamente 2 a 3 anos Maternal I; e 4 anos de idade Etapa I). Para tanto, foi realizada uma pesquisa de campo exploratória, com método observacional. Participaram do estudo duas turmas, uma com crianças que tinham aproximadamente 3 anos (Maternal I M1) e a outra 4 anos (Etapa I E1) quando a pesquisa foi iniciada (n total = 35 crianças e duas professoras). O procedimento envolveu cinco etapas: i) ingresso nas salas de aula e avaliação das crianças; ii) observações e filmagens na sala de aula; iii) análise do ambiente escolar, entrevista com as professoras e preenchimento de escalas padronizadas; iv) devolutivas para as escolas; v) transcrição e análise categorizada das filmagens. A análise de dados foi feita pelo registro das frequências (absoluta e relativa) de cada categoria, para cada turma. Também foi calculado o coeficiente de correlação de Pearson para verificar se os desempenhos dos alunos no teste de linguagem tinham correlação com o quanto eles falavam nas aulas. Os resultados indicam que as crianças mais bem avaliadas quanto à linguagem também foram aquelas que falaram mais durante as aulas. Em ambas as turmas, os alunos emitiram mais respostas verbais estritamente relacionadas àquilo que as professoras haviam perguntado. Mas, os alunos de E1 iniciaram mais interações com a professora, emitiram mais perguntas e responderam fazendo mais expansões àquilo que a professora havia perguntado. As professoras, por sua vez, arranjaram contingências muito semelhantes para as duas turmas: emitiram mais respostas verbais que não propiciam o desenvolvimento de linguagem das crianças (e.g., perguntas fechadas e instruções relacionadas à atividade); apresentaram a mesma variabilidade de palavras (types e tokens); e organizaram atividades que demandavam desempenhos com o mesmo nível de complexidade para as duas faixas etárias. As condições da escola foram bem avaliadas apenas no que diz respeito à qualidade das interações e aos cuidados pessoais dispensados às crianças, em detrimento de condições estruturais que efetivamente favorecessem a realização de atividades acadêmicas de qualidade. Esses resultados indicam que a escola, como uma instituição na qual devem existir agentes culturais, que ensinem repertórios verbais ao indivíduo, tem cumprido pouco seu papel