Danças em exposição: travessias do teatro ao museu
O campo da dança cênica contemporânea sofreu mudanças históricas ao longo do século XX, que agiram sobre a construção de pensamentos coreográficos e os modos de produção. Cito as experimentações da dança pós-moderna norte-americana (1960/1970) e o movimento de coreógrafos franceses e europeus que, n...
| Autor: | |
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| Tipo de recurso: | tesis doctoral |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2021 |
| País: | Brasil |
| Institución: | Universidade de São Paulo (USP) |
| Repositorio: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:teses.usp.br:tde-05072022-153107 |
| Acceso en línea: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27156/tde-05072022-153107/ |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palabra clave: | Anne Teresa De Keersmaeker Art Museum Contemporary Dance Dança contemporânea Museu de arte Wagner Schwartz Xavier Le Roy |
| Sumario: | O campo da dança cênica contemporânea sofreu mudanças históricas ao longo do século XX, que agiram sobre a construção de pensamentos coreográficos e os modos de produção. Cito as experimentações da dança pós-moderna norte-americana (1960/1970) e o movimento de coreógrafos franceses e europeus que, nos anos 1990, tomaram a(s) dança(s) como objeto(s) de estudo, questionando o seu patrimônio coreográfico, os discursos produzidos, os mecanismos de produção e os locais de apresentação (GINOT, 2003). A presença atual de projetos em dança, apresentados em espaços expositivos como museus e centros de arte contemporânea, tem sido observada por teóricos da área como uma retomada de ondas anteriores, que começaram na primeira metade do século XX (BISHOP, 2014; 2020; CVEJI, 2015). O interesse, e certo fetichismo, das instituições museais pelo dispositivo coreográfico em reativações, site-specific e retrospectivas, aprofundaram-se na primeira década dos anos 2000 em diversos países. Nesse caminho, a atenção será dada às danças em contexto de exposição, que atravessam dois modelos estruturais: por um lado, os códigos do espaço teatral, em particular a tradição do modelo do palco italiano, no qual a frontalidade e a distância fixa entre palco e plateia são determinantes (ROUBINE, 1998), e, por outro lado, o modelo do cubo branco, habitual nos museus de arte contemporânea, que codifica um espaço neutro para a fruição das obras de arte (ODOHERTY, 2007). Nota-se que esta travessia acaba expondo convenções sociais e produzindo negociações entre artistas, curadores, instituições e público. Em contrapartida, o deslocamento de hábitos e a proximidade entre dançarinos e espectadores, no espaço social do museu, podem abrir brechas à prática de uma coreografia social (CORNAGO, 2015), na qual se faz presente a construção de um lugar comum. Para isto, este estudo dialoga com três projetos em dança contemporânea, apresentados em espaços expositivos na última década. Primeiro, a exposição coreográfica Work/Travail/Arbeid (2015), da coreógrafa belga Anne Teresa de Keersmaeker e da companhia Rosas, que faz uso de material coreográfico oriundo do espetáculo precedente, realizado para o teatro. A sala expositiva torna-se um espaço líquido e maleável, de acordo com a densidade de pessoas que a coabitam (dançarinos, músicos e visitantes), transfigurando a percepção coreográfica, mesmo que a escritura gestual não seja alterada diretamente pela relação com a audiência. Em seguida, a exposição Retrospectiva de Xavier Le Roy (2012), do coreógrafo francês Xavier Le Roy, que foi criada a partir de solos do artista, reativados pela memória dos dançarinos-colaboradores exposição que se liga ao contexto social em que a reativação será apresentada. O forjamento de um espaço de conversação ocorre, entre outros, pelo endereçamento direto ao visitante. Por fim, a performance La Bête (2005), do coreógrafo e performer brasileiro Wagner Schwartz. O artista manipula uma réplica da série de esculturas Bichos (1960), da artista plástica brasileira Lygia Clark, produzindo efeito semelhante ao gesto clarkiano de convidar o público à participação. Schwartz cria um espaço tátil no museu, pela ação direta do público, que pode manusear o corpo do performer. |
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