Do passado ao futuro dos moradores tradicionais da Estação Ecológica Juréia-Itatins/SP

As Unidades de Conservação (UC’s) ambientais foram criadas com os objetivos de (1) “dar proteção" as áreas naturais ainda não degradadas e com rica biodiversidade e beleza cênica (2) serem preservadas como memória de um passado ambiental dilapidado ao longo da história da humanidade. Neste trab...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Nunes, Márcia
Tipo de documento: dissertação
Estado:Versão publicada
Data de publicação:2004
País:Brasil
Recursos:Universidade de São Paulo (USP)
Repositório:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:português
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-12082004-153758
Acesso em linha:http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8135/tde-12082004-153758/
Access Level:Acceso aberto
Palavra-chave:conflicts
conflitos
cultura caiçara
Juréia
população tradicional
protected areas
território
territory
traditional population
unidade de conservação
“caiçara” culture
Descrição
Resumo:As Unidades de Conservação (UC’s) ambientais foram criadas com os objetivos de (1) “dar proteção" as áreas naturais ainda não degradadas e com rica biodiversidade e beleza cênica (2) serem preservadas como memória de um passado ambiental dilapidado ao longo da história da humanidade. Neste trabalho discute-se a conservação da biodiversidade através da categoria de UC’s de PROTEÇÃO INTEGRAL. Trata-se, de uma categoria que não permite a existência de moradores e uso no interior de seus limites, sendo seu principal objetivo a preservação da natureza, admitindo-se apenas o uso indireto de seus recursos naturais. A área de estudo escolhida foi a Estação Ecológica Juréia-Itatins/SP, localizada no Vale do Ribeira, litoral sul de São Paulo. Possui área de 79.230 ha e abrange parte dos municípios de Peruíbe, Iguape, Itariri e Miracatu. O objetivo da pesquisa é analisar as transformações na ocupação do espaço, nas relações sociais, produtivas e culturais decorrentes da transformação da Juréia em estação ecológica. Quando delimitamos áreas para conservação estamos criando novas fronteiras sob territórios já existentes. Estas novas fronteiras desrespeitam os vínculos de identidade cultural-mítica-simbólica que une população pré-existente nessas áreas. Formam-se dois grupos: os que já estavam lá e os que vieram de fora. Cada um dos grupos tem leituras simbólicas e necessidades materiais diferentes em relação ao território. Instala-se a idéia de rompimento e não de cooperação entre os grupos. Estamos num ponto de inflexão: ou ouvimos o que os moradores tradicionais das Unidades de Conservação têm a nos dizer e nos ensinar, ou nos resignamos a assistir seu desaparecimento enquanto grupo social possuidor de riquíssima cultura e saberes acumulados durante muitas gerações, na relação com o meio natural.