Entre visões e cosmovisões: a representação da realidade em torto arado
Neste trabalho, propusemo-nos a identificar, analisar e explorar a representação da realidade no romance Torto Arado (2018), de Itamar Vieira Júnior. Consideramos tanto a realidade sociopolítica quanto a realidades místicas presentes na obra e utilizamos os conceitos de mundo visível/material e invi...
| Autor: | |
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| Tipo de recurso: | tesis de maestría |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2024 |
| País: | Brasil |
| Institución: | Universidade Federal de Lavras (UFLA) |
| Repositorio: | Repositório Institucional da UFLA |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:repositorio.ufla.br:1/59165 |
| Acceso en línea: | https://repositorio.ufla.br/handle/1/59165 |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palabra clave: | Lingüística Torto arado Representação da realidade Cosmovisões Bantu Yorubá Arado torcido Representación de la realidade; Visiones del mundo; Bantú Yoruba |
| Sumario: | Neste trabalho, propusemo-nos a identificar, analisar e explorar a representação da realidade no romance Torto Arado (2018), de Itamar Vieira Júnior. Consideramos tanto a realidade sociopolítica quanto a realidades místicas presentes na obra e utilizamos os conceitos de mundo visível/material e invisível/imaterial para compreender a organização dessa realidade ficcional. Para isso, exploramos a obra utilizando principalmente as cosmovisões Bantu e Yorubá como suporte para compreender as interferências e coexistências do mundo místico (invisível, imaterial) com o mundo sociopolítico (visível, material). Também verificamos como as teorias literárias e algumas vertentes do Romance Realista, como o Histórico, o Maravilhoso e o Animista, perpassam a construção da narrativa e, consequentemente, a elaboração da representação da realidade presente no romance. Desta maneira, concentramo- nos em ter como base cosmovisões e concepções de realidade que não são eurocêntricas, particularmente válidas como referência para o real na obra. No Capítulo 1, debruçamo-nos sobre o mundo místico de Torto Arado e nas cosmovisões Bantu e Yorubá, investigando e analisando a ocorrência de eventos de natureza mística na narrativa. Para isso, utilizamos pensadores como Reginaldo Prandi (2000), Gabriel Bannagia (2013) e Tiganá Santos (2019). No Capítulo 2, focamos nossa atenção na análise do mundo material, para compreender os aspectos históricos, sociais e políticos presentes na obra, e como se relacionam com o mundo imaterial anteriormente analisado, utilizando como apoio teóricos e teóricas como Aníbal Quijano (2005), Beatriz Nascimento (2006) e Lilian Schawarcz (2018). Já no Capítulo 3, procurou-se, a partir dos capítulos anteriores, compreender a forma como se dá a representação da realidade em Torto Arado, levando-se em conta, além das cosmovisões e da realidade histórica, as teorias literárias sobre a representação no romance e as concepções de realidade, com base em autores e autoras como Georg Lukács (2000), Harry Garuba (2012), Wolfgang Iser (2013) e Irlemar Chiampi (2015). Isso nos permitiu concluir que a representação da realidade na obra Torto Arado se dá de forma complexa e dialética, a partir da integração do visível e do invisível, do material e do imaterial, em consonância com as cosmovisões que a definem, ao mesmo tempo em que permanece em um diálogo contínuo com a tradição do gênero romance. Indo além do realismo convencional, a representação da realidade no romance analisado confronta o que é considerado real em uma perspectiva ocidental e eurocêntrica, sem deixar de nos mostrar o que é a realidade nessa perspectiva. Simultaneamente a isso, afirma outra realidade pautada em um referencial que vai além da perspectiva humana e tangível, mas ainda assim, uma concepção de realidade viável e válida. Baseamo-nos , para além dos autores e autoras citados, em Alejo Carpetier (2010), Pepetela (2015), Maldonado- Torres (2019), Erich Auerbach (2021) e Oyèrónke Oyewúmi (2021), entre outros. |
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