Psicologia do testemunho e uma nova técnica de entrevista investigativa : a versão brasileira da Self-Administered Interview

Testemunhas possuem papel fundamental no âmbito policial e jurídico. Entretanto, cerca de quatro décadas de pesquisas sobre a Psicologia do Testemunho demonstram que devido à falibilidade da memória, um testemunho pode não ser plenamente confiável. Um consenso é de que a melhor maneira de se obter r...

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Detalles Bibliográficos
Autor: Pinto, Luciano Haussen
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2016
País:Brasil
Institución:Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:tede2.pucrs.br:tede/6510
Acceso en línea:http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/6510
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:PSICOLOGIA
TESTEMUNHOS (PSICOLOGIA)
PSICOLOGIA COGNITIVA
ENTREVISTA PSICOLÓGICA
MEMÓRIA
CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA
Descripción
Sumario:Testemunhas possuem papel fundamental no âmbito policial e jurídico. Entretanto, cerca de quatro décadas de pesquisas sobre a Psicologia do Testemunho demonstram que devido à falibilidade da memória, um testemunho pode não ser plenamente confiável. Um consenso é de que a melhor maneira de se obter relatos fidedignos é colhendo, adequadamente, as informações tão logo decorrido o crime. Há poucos anos foi desenvolvida no Reino Unido a Self-Administered Interview (SAI), um protocolo de entrevista investigativa por escrito, auto-aplicável, para ser utilizado assim que a polícia chega ao local do crime. Este método, inspirado na Entrevista Cognitiva (Fisher & Geiselman, 1992), tem revelado resultados consistentes na obtenção de relatos (em termos de quantidade e acurácia de informações), além de proteger a memória contra efeitos de sugestionamentos. O presente trabalho buscou realizar a tradução, adaptação e testagem da versão brasileira da SAI. Foi objetivo também propor a modalidade oral de aplicação da SAI e investigar os efeitos de revisar o próprio relato, fornecido através da SAI, antes de responder a um questionário sobre um crime. Para atingir os objetivos, a tese foi composta por quatro estudos, um teórico e três empíricos. O Estudo Teórico revisou e discutiu os pressupostos teóricos de uma das técnicas mais efetivas da SAI: a recriação do contexto. O Estudo Empírico 1 realizou o processo de tradução, adaptação e o primeiro teste da versão brasileira da SAI. Em linhas gerais, concluiu-se que a tradução e adaptação do protocolo para a língua portuguesa foi exitosa, visto que se verificou que os brasileiros forneceram informações quantitativa e qualitativamente bastante semelhantes aos estrangeiros que utilizaram a SAI original. O Estudo Empírico 2 objetivou comparar duas modalidades de aplicação da SAI: escrita vs oral. Devido à limitação inerente da técnica original exigir leitura e escrita da testemunha, investigou-se se a aplicação oral do protocolo ocasionaria diferenças em termos de quantidade e qualidade das informações recordadas. Os resultados apontaram que as duas modalidades de aplicação da SAI obtiveram desempenhos praticamente equivalentes, sugerindo que em casos nos quais a testemunha não tenha condições ou tenha muita dificuldade de utilizar o protocolo escrito, poderia ser aplicada a versão oral, sem haver perdas quanto à quantidade e à qualidade das informações recordadas. Por fim, o Estudo Empírico 3 teve o intuito de investigar os efeitos em revisar o próprio depoimento (coletado no dia do crime através da SAI) antes de responder a um questionário inquisitivo sobre o crime. Os resultados indicaram que ter a chance de revisar o próprio relato não gerou superioridade de desempenho nas respostas do questionário comparado àqueles que não revisaram. No entanto, excetuando-se a variável ‘revisão’, o estudo reforçou os efeitos benéficos da SAI, já que todos que a completaram no dia do crime obtiveram, uma semana depois, desempenho superior aos que não a completaram. Em conjunto, os estudos desta tese trazem contribuições inéditas à área da Psicologia do Testemunho, especialmente, no contexto brasileiro. Diante da necessidade de adotar técnicas efetivas e viáveis, capazes de potencializar as investigações e reduzir danos, a SAI demonstra ser uma alternativa possível de avanço.