História Natural da Forma: imagem e substância

Embora Charles Darwin tenha incluído apenas uma imagem em sua mais importante e conhecida obra, On the Origin of the Species (Londres, 1859), o naturalista mantinha um grande interesse pelas inscrições visuais. Acompanhava metodicamente os diversos estágios de formação das representações gráficas se...

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Detalles Bibliográficos
Autor: Santos, Thiago Rafael da Costa
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2023
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-04102023-170653
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/93/93131/tde-04102023-170653/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Charles Darwin
Diagramas
Diagrams
Evolucionismo
Evolutionism
História da ciência
History of science
Image
Imagem
Descripción
Sumario:Embora Charles Darwin tenha incluído apenas uma imagem em sua mais importante e conhecida obra, On the Origin of the Species (Londres, 1859), o naturalista mantinha um grande interesse pelas inscrições visuais. Acompanhava metodicamente os diversos estágios de formação das representações gráficas selecionadas para suas publicações, orientando e não raro intervindo em sua feitura e conformação. Assim, a imagem era um recurso recorrente e de efetiva centralidade em seu exercício teórico e reflexivo. De tal modo que a análise dos esquemas diagramáticos em sua vasta documentação privada permite-nos, ainda que parcialmente, reconstituir o demorado percurso de gestação e amadurecimento de sua célebre tese, qual seja, a da transmutação das espécies por descendência. Nesse sentido, os cadernos de estudo legados pelo pesquisador britânico tornam-se quase como uma extensão de seu raciocínio intrincado. Verifica-se aí um padrão singular, vale dizer, com a articulação de desenhos sobre notas e anotações inconclusas, argumentos interrompidos, dúvidas e refutações. Na sucessão das numerosas páginas, emerge um autor de espírito inquieto, guiado por um pensamento de arranjo nãolinear, marcado por uma multiplicidade de interesses e, por isso, atravessado por digressões, interrupções, desvios. Percebe-se, pois, que a disposição do naturalista ao evolucionismo não apenas coincide com a sistematização da atividade desenhativa senão que revela um efetivo entrelaçamento da formulação de diagramas com a teoria da transmutação. No esforço de articulação e definição visual de suas ideias, a plasticidade do desenho esquemático garantia uma larga margem para a intervenção, bem como para a conjectura e a abstração. Em nossa investigação, analisamos alguns de seus diagramas - nomeadamente aqueles relacionados com a perspectiva evolucionista -, destacando o ambiente intelectual e cultural de sua elaboração, os modelos visuais antecedentes e suas influências artísticas e científicas. Propomo-nos, portanto, desvendar a substância conceitual que configurou as imagens darwinianas.