O labirinto da leitura: entre o autor e o leitor em O ano da morte de Ricardo Reis , de José Saramago
Este trabalho propõe uma análise do romance O ano da morte de Ricardo Reis, do es-critor português José Saramago, que constrói sua narrativa a partir de um heterônimo de Fer-nando Pessoa, de outros textos e personagens da literatura e de acontecimentos e figuras histó-ricos. Publicado em 1984, o rom...
| Author: | |
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| Format: | master thesis |
| Status: | Published version |
| Publication Date: | 2016 |
| Country: | Brasil |
| Institution: | Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) |
| Repository: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ |
| Language: | Portuguese |
| OAI Identifier: | oai:www.bdtd.uerj.br:1/6843 |
| Online Access: | http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/6843 |
| Access Level: | Open access |
| Keyword: | Reading Authorship Fernando Pessoa José Saramago Autoria Saramago, José, 1922-2010 Crítica e interpretação Saramago, José, 1922-2010. O ano da morte de Ricardo Reis Pessoa, Fernando, 1888-1935 Crítica e interpretação Leitura CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS::OUTRAS LITERATURAS VERNACULAS |
| Summary: | Este trabalho propõe uma análise do romance O ano da morte de Ricardo Reis, do es-critor português José Saramago, que constrói sua narrativa a partir de um heterônimo de Fer-nando Pessoa, de outros textos e personagens da literatura e de acontecimentos e figuras histó-ricos. Publicado em 1984, o romance parte dos dados biográficos da gênese heteronímica pes-soana, fazendo Ricardo Reis retornar a Portugal no final de 1935, logo após a morte de seu criador Fernando Pessoa. O heterônimo a princípio surge apresentando o perfil e as caracterís-ticas pelas quais é conhecido: um sujeito frio e fechado que procura se alhear ao máximo do mundo, um médico monárquico e poeta nas horas vagas, cujo estilo se destaca por sua lingua-gem erudita, pelo uso da ode e por temas e figuras recorrentes, como os deuses, a morte, o tempo e a efemeridade da vida. Ricardo Reis é, assim, o clássico representado, e como tal vai ser questionado e desconstruído ao longo do romance, que vai confrontá-lo com sua visão de que Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo . Para essa análise da recriação de Ricardo Reis no livro, propomos inicialmente uma discussão sobre a autoria, na medida em que, na contramão de uma defesa do autor efetuada por Saramago em diversos momentos, o romance é também uma desmistificação do autor, em especial na confrontação com o heterô-nimo de Pessoa. Abordando os posicionamentos de Saramago a esse respeito e procurando mostrar o quanto sua visão se inscreve numa retomada moderna do autor como unidade pri-meira do texto, com consequências para a leitura, procuramos então nos voltar para a figura do leitor como ponto-chave para pensar a necessária abertura do texto, que é o que permite a leitura e a construção mesma de um romance como O ano. Desse modo, dando mais ênfase a um Saramago leitor-autor, propomos a análise do romance propriamente tendo como foco a transformação de Reis no que ela tem de releitura, como uma trama formada por outros textos e referências, primeiramente Pessoa, mas também outras obras da literatura, sobretudo Camões e Borges, e a própria história, que constitui o espetáculo com que a narrativa confronta o heterônimo-personagem. A leitura e a abertura do texto surgem, então, como ponto de partida e de chegada para pensar os múltiplos labirintos que formam o romance, da literatura à histó-ria, de Pessoa ao dramático período do entreguerras no qual Ricardo Reis é situado |
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