Violência heterônoma: a construção político-epistêmica do Outro terrorista

Este trabalho busca contribuir para os diálogos sobre a violência política. Proponho uma leitura da abordagem do novo terrorismo, forjada cientificamente durante a década de 1990 e significativamente atuante sobre as concepções contemporâneas vigentes acerca do chamado terrorismo global. Busco, ness...

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Detalles Bibliográficos
Autor: Faciulli, Mariana dos Santos
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2021
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-06072022-173910
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-06072022-173910/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Cultural
New Terrorism
Novo Terrorismo
Racial
Terrorism
Terrorismo
Violence
Violência
Descripción
Sumario:Este trabalho busca contribuir para os diálogos sobre a violência política. Proponho uma leitura da abordagem do novo terrorismo, forjada cientificamente durante a década de 1990 e significativamente atuante sobre as concepções contemporâneas vigentes acerca do chamado terrorismo global. Busco, nesse percurso, compreender o que justificou verdadeiramente o estabelecimento de uma cisão entre terrorismo tradicional e novo terrorismo, e como ela pode sustentar-se a despeito da inverificabilidade de transformações objetivas fundamentais. Argumento que a compreensão científica mobilizou elementos associados à constituição histórica do Outro racial e cultural e, assim, teve sucesso em aculturar sua violência, tornando-a mais letal e menos legível sob a ótica da racionalidade política instrumental, por meio de um movimento que a constitui, essencialmente, como reação ao avanço da modernidade impassível, à qual esses sujeitos são necessariamente alheios; isto é, uma violência que é produto direto de sua condição de heteronomia. Ao longo desse processo, proponho, mais amplamente, a desespecificação da violência \"terrorista\", contestando o modo pelo qual determinados atos de violência coletiva onticamente não-específicos (isto é, não distintos a priori de outras formas de ação política violenta) são epistemicamente convertidos e homogeneizados como uma forma excepcional e essencializada de violência ilegítima - o terrorismo. Defendo que, como categoria que carece de definição ontológica, seu caráter é essencialmente perfomativo e, como tal, impede qualquer mobilização consistente com propósitos analíticos ou descritivos.