O universo autoficcional de J. M. G. Le Clézio: Voyage à Rodrigues, Onitsha, L’Africain e Ritournelle de la faim

Voyage à Rodrigues, Onitsha, L’Africain e Ritournelle de la faim são textos que acompanham as mutações da literatura francesa contemporânea, seguindo as tendências da escrita de si, mas, ao mesmo tempo, distanciando-se da linha tradicional da biografia e da autobiografia e assemelhando-se à nova for...

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Detalles Bibliográficos
Autor: Assunção, Islene França de [UNESP]
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2019
País:Brasil
Institución:Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Repositorio:Repositório Institucional da UNESP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.unesp.br:11449/183155
Acceso en línea:http://hdl.handle.net/11449/183155
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Identidade
Le Clézio
Autoficção
Literatura contemporânea
Literatura francesa
Descripción
Sumario:Voyage à Rodrigues, Onitsha, L’Africain e Ritournelle de la faim são textos que acompanham as mutações da literatura francesa contemporânea, seguindo as tendências da escrita de si, mas, ao mesmo tempo, distanciando-se da linha tradicional da biografia e da autobiografia e assemelhando-se à nova forma recentemente surgida no universo autobiográfico, identificada como autoficção. Tendo em vista que a necessidade de compreensão de si mesmo exige uma interrogação concernente ao passado e à origem, nessas obras, os protagonistas empreendem uma viagem no tempo e no espaço rumo ao passado, a fim de narrar fatos da infância, da vida dos pais e antepassados ou de alguma pessoa que tenha importância em suas histórias de vida. Traduzindo um desejo geral da própria época corrente, a obra de Le Clézio confirma a obstinação dos escritores contemporâneos em encontrar a herança perdida e evitar a irremediável passagem do tempo. Esse retorno ao passado constitui uma partida cujo fim é a busca de si mesmo, uma vez que, no esforço de descobrir as origens, os heróis manifestam o desejo de recuperar a identidade perdida, de suprir uma falta e/ou de restituir a dignidade roubada a um dos membros de suas famílias. A viagem (real ou figurada) e a escrita tomam, por conseguinte, uma dimensão iniciática, já que se desvelam como produtos de uma busca identitária, assumindo o papel de mediadoras do autoconhecimento e de preservação da memória, devido à capacidade de resistir à passagem do tempo, fazendo sempre vivas as pessoas e os fatos narrados e impedindo-os de “caírem no esquecimento”. A fuga do presente exprime, ainda, a insatisfação das personagens leclézianas em relação ao materialismo da sociedade contemporânea, instituindo uma espécie de retorno à natureza e se apresentando como um meio de resistência à mentalidade dominante, revelando, assim, uma visão de mundo aparentemente contrária à globalização, ao consumismo e ao racionalismo exacerbado do homem atual. Desse modo, o objetivo deste trabalho é demonstrar, nas obras supracitadas, as particularidades da escrita autoficcional presentes nas narrativas e, também, constatar como Le Clézio ultrapassa o domínio da autobiografia tradicional. Ademais, visamos verificar que, se a autoficção é definido por um contrato de leitura ambíguo, os textos leclézianos examinados nesta tese devem ser considerados autoficcionais, visto que promovem essa ambiguidade por meio de estratégias genéricas complexas. Para desenvolver essas ideias, teremos como suporte as teorias e críticas da literatura contemporânea, da autobiografia e da autoficção – em específico as contribuições de Philippe Gasparini (2004, 2008, 2011, 2016) e Philippe Vilain (2005, 2009) –, bem como aquelas que tangem ao estudo do sujeito, da identidade e da memória, a partir das quais, faremos a leitura, interpretação e análise das obras estudadas.