Luto paterno como parte integrante do parto humanizado em um hospital público no nordeste brasileiro

Este estudo aborda o luto paterno em sua complexidade e manifestações. Nas narrativas dos pais identificamos o passo a passo da maturação do processo do enlutamento, manifestado diversamente no contexto de cada um dos homens aqui entrevistados. Com essa pesquisa, por meio das narrativas de quatro pa...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Leite, Erika Maria Rocha
Formato: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2016
País:Brasil
Recursos:Universidade de Fortaleza (UNIFOR)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UNIFOR
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai::109675
Acesso em linha:https://biblioteca.sophia.com.br/terminalri/9575/acervo/detalhe/109675
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:Parto
Luto
Morte
Descrição
Resumo:Este estudo aborda o luto paterno em sua complexidade e manifestações. Nas narrativas dos pais identificamos o passo a passo da maturação do processo do enlutamento, manifestado diversamente no contexto de cada um dos homens aqui entrevistados. Com essa pesquisa, por meio das narrativas de quatro pais nordestinos usuários de um hospital público, objetivamos conhecer os sentimentos, mecanismos de defesa e superação, capacidade de enfrentamento e ressignificação da dor na ocasião do óbito de seus bebês. Ao mesmo tempo procuramos identificar que tipo de assistência é dada por uma instituição pública do setor saúde e pelos seus profissionais a esse homem enlutado. A coleta se deu em uma maternidade escola na Regional VI da cidade de Fortaleza, no estado do Ceará, no período de janeiro à novembro de 2016. Além dos pais foram também entrevistados profissionais da saúde e foram coletados dados dos prontuários e partogramas das mães dos bebês, da mesma forma, as anotações do diário de campo, resultado de observações participantes, serviram de base para os resultados aqui encontrados. Foi feito um levantamento bibliográfico que possibilitou um conhecimento mais aprofundado sobre a história e evolução da morte e do luto ao longo dos séculos. Dos quatro pais, de diferentes camadas sociais entre a classe média e baixa, aqui observados, foi encontrado que todos manifestaram profundo sofrimento na ocasião do óbito de seus filhos; preocuparam-se em apoiar afetivamente e efetivamente suas esposas e companheiras; já tinham dado nome aos filhos; desejaram e admitiram a importância de conversar sobre o luto e dar continuidade a esse processo terapêutico; mostraram uma capacidade de enfrentamento face à morte, mesmo bastante doloridos e inseridos em um caótico contexto social e hospitalar; reelaboraram o relacionamento com o filho com intenção de dar continuidade ao vínculo parental. Um dos pais elaborou de forma muito profunda a ressignificação da perca física do filho em termos de hereditariedade e eternidade. Identificou-se também que um dos pais passou por um processo crônico de trauma. Dois pais exprimiram o desafio de permanecer em uma estrutura hospitalar negligente quanto ao cuidado com os pais enlutados. Os resultados evidenciam que os pais nordestinos, apesar da grande vulnerabilidade social encontrada nessa região, são sensíveis a morte de seus bebês e as suas esposas e companheiras, procuram reagir de maneira afetiva e efetiva a esse momento e desejam maturar o processo do luto. Emerge também aqui a necessidade de uma revisão de conceitos e práticas, de uma cultura do cuidado mais humanizada no que diz respeito ao morrer e ao luto paterno no contexto do setor saúde.