Cuidando de branco: medicinas da floresta e turismo entre os Yawanawa

Nas últimas duas décadas o estado do Acre tornou-se um epicentro de turismo indígena no Brasil, atraindo para a floresta visitantes vindos de outros estados ou do exterior, interessados de distintas formas nos saberes indígenas, em especial pelas experiências com ayahuasca, bebida amazônica chamada...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Ferreira Oliveira, Aline
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2024
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-23062025-084516
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-23062025-084516/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Ayahuasca
Knowledge networks
Neo-shamanism
Neo-xamanismo
Redes de saberes
Tourism
Turismo
Yawanawa
Descripción
Sumario:Nas últimas duas décadas o estado do Acre tornou-se um epicentro de turismo indígena no Brasil, atraindo para a floresta visitantes vindos de outros estados ou do exterior, interessados de distintas formas nos saberes indígenas, em especial pelas experiências com ayahuasca, bebida amazônica chamada localmente de \"cipó\" que é produzida na cocção de duas plantas (banisteriopsis caapi e psychotria viridis). Além das qualidades de conectividade da ayahuasca como uma bebida psicoativa mundialmente conhecida, essa característica particular deve ser atribuída às habilidades dos grupos indígenas da família linguística Pano – principalmente os Yawanawa, os Huni Kuin (Kaxinawá ) e os Noke Koî (Katukina) – em formar redes por meios de movimentos de dispersão (com viagens aos centros urbanos para rituais, projetos, parcerias, etc.) e atração (organizando em suas aldeias diversos tipos de eventos, como festivais, dietas e vivências). Deste modo essa tese tem o objetivo de fazer uma análise etnográfica dos caminhos medicinas da floresta – especialmente do uni/nixi pae (ayahuasca), do rome/dume (tabaco), do kambô (phyllomerlusa bicolor), da sananga (tabernaemontana sanango) – utilizadas pelos povos Pano, e outras medicinas que são incorporadas por eles dos nawa (\"brancos\") como o shuru (cannabis sp.), buscando analisar suas possíveis transformações em meio às novas dinâmicas e relações interespécies, a partir da difusão global da ayahuasca e das iniciativas de turismo nas aldeias no Acre. Buscamos deste modo fazer uma articulação entre processos translocais das medicinas da floresta, e seus efeitos locais em termos de relações. Considerando que a transmissão de saberes está enredada com noções de propriedade, controle de fluxos de substâncias e poder, reflito sobre como se articulam saberes indígenas e não indígenas nesses novos contextos. A tese busca entender como os Yawanawa (povo da queixada) vem expandindo sua \"cultura\" translocalmente, considerando as dinâmicas locais das medicinas da floresta e os efeitos dessa expansão frente às políticas dos nawa e às antigas redes locais interétnicas