Estudo da anemia como fator de risco e modificador de prognóstico de injúria renal aguda em pacientes internados em Unidade de Terapia Intensiva

Introdução - Tanto anemia como injúria renal aguda (IRA) são condições frequentes em pacientes graves e sua associação pode significar que anemia é fator de risco para IRA ou que reflete as comorbidades que aumentam o risco de IRA. Objetivos - Analisar se anemia é fator de risco e se modifica os des...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Freire Júnior, Manoel Bastos
Formato: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2023
País:Brasil
Recursos:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-15022024-181617
Acesso em linha:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-15022024-181617/
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:Acute Kidney Injury
Acute Renal Injury
Anaemia
Anemia
Anemic
Critical Patient
Cuidados Críticos
Haemoglobin
Hemoglobina
Injuria Renal Aguda
Intensive Care Unit
Lesão Renal Aguda
Unidade de Terapia Intensiva
Descrição
Resumo:Introdução - Tanto anemia como injúria renal aguda (IRA) são condições frequentes em pacientes graves e sua associação pode significar que anemia é fator de risco para IRA ou que reflete as comorbidades que aumentam o risco de IRA. Objetivos - Analisar se anemia é fator de risco e se modifica os desfechos da IRA em pacientes internados em UTI. Métodos - Foram utilizados dados da coorte prospectiva de pacientes internados em UTI geral, realizada entre 2014 e 2016 em Rio Branco/AC. Dentre 1.494 pacientes admitidos nas UTIs, 672 (45%) compuseram a coorte do estudo, após utilização dos critérios de exclusão adotados. Os pacientes foram acompanhados nos primeiros 7 dias de internação. O diagnóstico de IRA baseou-se nos critérios KDIGO e adotou-se como preditor o nível de hemoglobina (Hb) ≤ 11 g/dl na admissão na UTI e na média dos dias que antecederam o início da IRA na UTI. Utilizou-se o modelo de regressão logística múltipla para avaliar associação entre Hb e ocorrência de IRA, sua gravidade e com os óbitos na UTI em pacientes que desenvolveram IRA. A hazard ratio ajustado (HRaj) da mortalidade precoce e tardia (até 30 dias ou entre 31 e 180 dias após a alta da UTI, respectivamente) foi calculada usando-se a regressão múltipla de Cox. Resultados - A prevalência da anemia na admissão à UTI foi de 85,1% (572 pacientes), enquanto a incidência da IRA nos primeiros 7 dias de internação foi de 55,8% (375). Hb ≤ 11 g/l na admissão à UTI esteve associado com o desenvolvimento de IRA na UTI (ORaj: 1,5; IC95%:1,09-2,14) e a média da Hb ≤ 11g/l nos dias prévios à IRA esteve associada à IRA com início após 3º dia de internação na UTI (ORaj: 2,31; IC95%:1,26-4,27). Não houve associação dos níveis de hemoglobina analisados com os estágios da IRA e com a ocorrência de IRA persistente (duração superior a 48hs). Entre os pacientes que desenvolveram IRA na UTI, os dias de internação na UTI, o uso de hemodiálise e a mortalidade durante a internação na UTI foram semelhantes nos pacientes com níveis de Hb ≤ 11 g/dl ou > 11 g/dl. Comparados com indivíduos sem IRA e Hb na admissão > 11 g/l, houve aumento da mortalidade precoce entre os pacientes com IRA (HRaj: 2,9; IC95%:1,26-6,73 para pacientes com Hb> 11 g/dl e HRaj 3,5; IC95%: 1,53-7,96 para Hb ≤ 11 g/l) e aumento no risco de mortalidade tardia com a presença de Hb ≤ 11 g/dl (HRaj: 4,3; IC95%:1,32-14,2 para indivíduos sem IRA e HRaj 5,7; IC95%: 1,85-17,8, para indivíduos com IRA. Resultados semelhantes foram obtidos na análise com Hb média nos dias prévios à IRA. Conclusões - Esse estudo evidenciou altíssima prevalência de anemia na admissão dos pacientes em UTI, sua associação com o desenvolvimento de IRA na UTI e o pior prognóstico para a mortalidade após a alta da UTI de pacientes com anemia, agravado quando esteve associada ao desenvolvimento de IRA.