Desenvolvimento do conceito bakhtiniano de polifonia

Este artigo se dedica a revisar o desenvolvimento do conceito de polifonia, posição de distanciamento máximo entre autor e personagens em um infindável diálogo, a partir da análise de algumas obras pertencentes à ficção dostoievskiana, feita por Bakhtin no livro Problemas da poética de Dostoiévski,...

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Detalles Bibliográficos
Autores: Pires, Vera Lúcia, Tamanini-Adames, Fátima Andréia
Tipo de recurso: artículo
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2010
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Estudos Semióticos
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:revistas.usp.br:article/49272
Acceso en línea:https://revistas.usp.br/esse/article/view/49272
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:polifonia
dialogismo
metalinguística
polyphony
dialogism
metalinguistics
Descripción
Sumario:Este artigo se dedica a revisar o desenvolvimento do conceito de polifonia, posição de distanciamento máximo entre autor e personagens em um infindável diálogo, a partir da análise de algumas obras pertencentes à ficção dostoievskiana, feita por Bakhtin no livro Problemas da poética de Dostoiévski, no qual Dostoiévski é definido como o criador do romance polifônico. O dialogismo, essência da teoria bakhtiniana do discurso, reitera a presença do sujeito na comunicação, que não é vista apenas como uma simples transmissão de informação, mas como uma interação verbal ou não-verbal. Os sujeitos se constituem na e pela interação. O discurso, construído a partir do discurso do outro, nunca está concluso. Então, todo texto é composto de várias vozes que, na polifonia, têm de ser equipolentes. Segundo Bakhtin, a polifonia é parte essencial de toda enunciação, já que em um mesmo texto ocorrem diferentes vozes que se expressam, e que todo discurso é formado por diversos discursos. Só compreendemos enunciados quando reagimos às palavras que despertam em nós ressonâncias ideológicas e/ou concernentes à nossa vida. A realidade do signo é objetiva e passível de um estudo metodologicamente unitário. Bakhtin chama esse estudo do discurso bivocal, que inevitavelmente surge sob as condições de comunicação dialógica e ultrapassa os limites da linguística, de metalinguística.