Ficção científica e progresso tecnológico: uma análise de distopias climáticas do século XX

A ficção científica tem sido um dos gêneros mais populares da literatura desde o seu surgimento no século XIX. O gênero busca então olhar para o futuro, imaginando novos avanços tecnológicos que então pareciam ilimitados, o que o faz se aproximar da literatura de utopia e distopia. Após o fim da Seg...

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Detalles Bibliográficos
Autor: RODRIGUES JUNIOR, Denis Marcio
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2021
País:Brasil
Institución:Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI)
Repositorio:Repositório Institucional da UNIFEI (RIUNIFEI)
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.unifei.edu.br:123456789/2391
Acceso en línea:https://repositorio.unifei.edu.br/jspui/handle/123456789/2391
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:CNPQ::OUTROS::CIÊNCIAS SOCIAIS
Distopia
Ficção científica
Tecnologia
Descripción
Sumario:A ficção científica tem sido um dos gêneros mais populares da literatura desde o seu surgimento no século XIX. O gênero busca então olhar para o futuro, imaginando novos avanços tecnológicos que então pareciam ilimitados, o que o faz se aproximar da literatura de utopia e distopia. Após o fim da Segunda Guerra Mundial e a explosão da bomba atômica, o otimismo em um mundo guiado pela ciência diminui consideravelmente e as distopias consideram o próprio fim da civilização através dos subgêneros apocalíptico e pós-apocalíptico. O cataclisma nuclear permanece popular nas obras ficcionais ao longo de todo o século, mas a partir dos anos 70, uma nova ameaça se revela tão perigosa para a civilização humana quanto: as crises ambientais. O prognóstico de um colapso cria um imaginário distópico tão poderoso quanto o de uma guerra nuclear, sendo também uma ameaça ao modo de produção capitalista, uma vez que limites externos ao crescimento econômico são estabelecidos. Se a bomba atômica evidenciou o potencial destrutivo da tecnologia bélica, as crises ambientais colocam em questão os mesmos artefatos tecnológicos que permitiram o otimismo do século XIX. Este trabalho se pergunta como obras de ficção distópicas caracterizam as crises ambientais ao longo do último século. Tem objeto de estudo, portanto, as distopias climáticas, definidas como: obras ficcionais situadas em um futuro próximo ou distante que descrevam uma sociedade pior, de acordo com o autor, do que a do momento e local em que foi escrita e que tratem de questões ecológicas ou ambientais como o foco, ou um dos focos, da disfuncionalidade do seu mundo. Seu objetivo é investigar as diferentes percepções críticas em relação a tecnologia em distopias climáticas. Para fazê-lo, se propõe a examinar a história da difusão da crença nas mudanças climáticas antropogênicas, comparar o caráter distópico de obras de ficção científica ao longo do século XX e identificar nestas críticas específicas a tecnologia, levando em conta seu contexto histórico e artístico. Em seus resultados, observa-se que: a oposição entre civilização e natureza é um tema recorrente nas obras estudadas, ao refletir sobre modos alternativos de existência fora da sociedade industrial moderna; As obras se mostraram úteis para o estudo da história das crises ambientais, ao revelar características de momentos chave da conscientização quanto a estas; E, por fim, não há uma linearidade na crítica que realizam quanto ao progresso tecnológico, mas todas manifestam posições contrárias ao modo de vida capitalista.