A voz das ruas : resistência negra e feminina no Poetry Slam

Na certeza de que a democratização da sociedade exige a revisão de valores institucionalizados também no campo literário, o presente trabalho pretende refletir sobre o Poetry Slam, um movimento de poesia que envolve oralidade, performance, espaço urbano e jovens protagonistas. Com suas vozes margina...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Soares, Cibele Moni
Formato: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2021
País:Brasil
Recursos:Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:tede2.pucrs.br:tede/9652
Acesso em linha:http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/9652
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:Poetry Slam
Literatura Marginal
Mulheres Negras
Performance
Resistência
Marginal Literature
Black Women
Resistance
LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS
Descrição
Resumo:Na certeza de que a democratização da sociedade exige a revisão de valores institucionalizados também no campo literário, o presente trabalho pretende refletir sobre o Poetry Slam, um movimento de poesia que envolve oralidade, performance, espaço urbano e jovens protagonistas. Com suas vozes marginais, eles se inserem na cena contemporânea de forma a romper hegemonias e apontar a literatura como espaço de existir e resistir. Objetivando analisar de que maneira esse movimento pode contribuir positivamente na reafirmação da identidade negra e feminina, constituindo-se como mecanismo de resistência contra as opressões impostas por uma sociedade racista e patriarcal, serão focalizados os poemas de slammers, disponíveis na plataforma Youtube, e nas obras Vozes da revolução (2019) e Querem nos calar (2019). Nesse sentido, o processo de escravização, perdurante no país de 1550 a 1888, deixou marcas na atualidade. O pós-abolição e a inexistência de projetos que reintegrassem a população negra recém liberta relegaram-na à exclusão social, à marginalização e a estigmas degradantes, os quais ainda perduram e afetam seus descendentes. Inserido nessa comunidade tão suscetível às dificuldades supracitadas, o grupo das mulheres negras é ainda mais afetado. Além das opressões sofridas devido ao seu pertencimento racial, elas enfrentam preconceitos e limitações advindas da questão de gênero. Ser negra é condição que, dentro de um contexto patriarcal e racista, dificulta sua mobilidade social como sujeito, razão pela qual se insere em um grupo há tempos situado à base da pirâmide social. Na contramão do sistema que os oprime, o povo negro e, em especial, as mulheres negras, mobilizam-se a fim de reivindicar sua dignidade surrupiada pelo racismo e pelo sexismo em prol de uma sociedade mais justa e democrática. Através da análise das performances e das produções poéticas das slammers negras, esta pesquisa, portanto, evidencia a importância de formas alternativas de conscientização e promoção do resgate da cidadania, promovidas pelas vítimas dessas opressões que se interseccionam. Opondo-se à tentativa secular de silenciamento, essas protagonistas assumem seu lugar de fala e trazem novo sentido à sua existência através do Poetry Slam, uma modalidade de fazer arte, educação e política social.