(Po)ética do rosto : ética da alteridade na imagem do som de Chico Buarque de Hollanda

A produção poética do compositor e escritor brasileiro Chico Buarque de Hollanda apresenta uma alteridade radical que lança o autor ao encontro do Outro, por meio da linguagem. Suas composições emprestam voz a personagens de diferentes níveis sociais; aos desvalidos, aos perseguidos, às mulheres, ao...

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Detalles Bibliográficos
Autor: Santos, Kelly Fabíola Viana dos
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2019
País:Brasil
Institución:Universidade de Brasília (UnB)
Repositorio:Repositório Institucional da UnB
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.unb.br:10482/38416
Acceso en línea:https://repositorio.unb.br/handle/10482/38416
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Alteridade
Autoria
Ética
Intermidialidade
Chico Buarque de Hollanda
Poesia brasileira
Descripción
Sumario:A produção poética do compositor e escritor brasileiro Chico Buarque de Hollanda apresenta uma alteridade radical que lança o autor ao encontro do Outro, por meio da linguagem. Suas composições emprestam voz a personagens de diferentes níveis sociais; aos desvalidos, aos perseguidos, às mulheres, aos excluídos em seus grupos distintos, ou seja, pessoas muito diferentes da realidade de vida dele e de seu contexto social. Essa produção poética é analisada na tese como um exercício de exotopia (Bakhtin, 2000). O autor expressa a visão que tem do Outro a partir de seu lugar único, exterior, que o Outro não poderia ter de si mesmo. Pretende-se confirmar a tese de que essa produção forma uma poética do Rosto – responsabilidade ética individual e insubstituível que o sujeito assume perante o apelo do Outro, devido ao lugar que ocupa no mundo (Rosto conforme os estudos de Emmanuel Lévinas). Entretanto, ao assumir essa responsabilidade, o sujeito (poeta, compositor, letrista), fica também exposto aos riscos da linguagem, da escrita, visto que a linguagem ultrapassa fronteiras de espaço e tempo, sujeita-se a interpretações, afecções e usos que escapam ao controle do autor. O corpus deste trabalho é o livro A imagem do som de Chico Buarque (1999), organizado por Felipe Taborda, artista gráfico que reuniu 80 canções de Chico Buarque, aprovadas pelo compositor, e interpretadas visualmente por artistas brasileiros atuantes em artes visuais. Dessas 80 canções, 38 foram selecionadas na tese para serem analisadas em consonância com as imagens que as representam, em razão de que essas canções colocam em destaque um personagem, um Rosto. Apesar de as canções “Minha história” e “Angélica” não fazerem parte do projeto A imagem do som, foram acrescentadas ao corpus por responderem a questões específicas da tese. Em Gilbert Durand (2002), Séan Burke (2008) e Umberto Eco (2004) fundamenta-se a compreensão dos riscos de se assumir uma poética do Rosto em tempos de evolução tecnológica. Também foram identificadas as consequências desse processo, na conjuntura atual em que o texto percorre com rapidez espaços diversos, sofre as afecções do imaginário, é interpretado e utilizado em diferentes contextos, independentemente de aprovação ou anuência de seu autor.