Impacto do transplante fecal de microbiota de crianças com epilepsia farmacorresistente e tratamento com dieta cetogênica em modelo animal de epilepsia do lobo temporal

Introdução: A epilepsia é uma doença neurológica caracterizada pela predisposição duradoura em gerar crises epilépticas. Estima-se que a prevalência da epilepsia seja de 0,5 a 1% na população mundial, e que 20 a 40% dos pacientes, apresentam crises resistentes ao tratamento medicamentoso. A dieta ce...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Prudencio, Mariana Baldini
Formato: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Recursos:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-09062025-151043
Acesso em linha:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/9/9142/tde-09062025-151043/
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:Amino Acids Neurotransmitters.
Aminoácidos Neurotransmissores
Animal Model of Epilepsy
Brain-Gut Axis
Citocinas
Cytokines
Dieta Cetogênica
Drug-resistant Epilepsy
Eixo Cérebro-Intestino
Epilepsia do Lobo Temporal
Epilepsia Farmacorresistente
Fecal Microbiota Transplantation
Ketogenic Diet
Modelo Animal de Epilepsia
Monoaminas e Metabólitos
Monoamines and Metabolites
Temporal Lobe Epilepsy
Transplante Fecal de Microbiota
Descrição
Resumo:Introdução: A epilepsia é uma doença neurológica caracterizada pela predisposição duradoura em gerar crises epilépticas. Estima-se que a prevalência da epilepsia seja de 0,5 a 1% na população mundial, e que 20 a 40% dos pacientes, apresentam crises resistentes ao tratamento medicamentoso. A dieta cetogênica (DC). consiste em uma dieta rica em gordura, com teor adequado de proteínas e baixa oferta de carboidrato, eficaz no controle de crises. O principal mecanismo de ação da DC é conferido pela ação dos corpos cetônicos resultantes da oxidação das gorduras da dieta. Estudos recentes têm demonstrado que a eficácia clínica da dieta não é conferida somente pela ação dos corpos cetônicos, mas também por vias sinérgicas e até independentes reguladas pela microbiota intestinal (MI). Objetivo: Avaliar o efeito do transplante fecal de microbiota (TFM) proveniente de um paciente com epilepsia farmacorresistente e boa eficácia clínica no tratamento com DC inoculado em modelo animal de epilepsia do lobo temporal em marcadores de inflamação cerebral e da neurotransmissão. Metodologia: estudo translacional com 2 fases. Na fase clínica, foi selecionado um paciente com epilepsia farmacorresistente com boa eficácia clínica no controle de crises com tratamento com a DC. Coleta de fezes e sequenciamento da (MI) antes e após o tratamento. Na fase experimental, ratos Wistar foram alocados em 3 grupos: grupo controle: animais sem epilepsia e que não receberam transplante fecal de microbiota, grupo EpiSTFM: animais com epilepsia e que não receberam TFM, e grupo EpiTFMR: animais com epilepsia e transplante fecal de microbiota de paciente tratado com DC e eficácia clínica superior a 50%). Para a indução da epilepsia foi utilizado o modelo lesional de epilepsia do lobo temporal induzida por Pilocarpina. Foi coletada fezes e realizado sequenciamento da microbiota intestinal. No momento da eutanásia, o cérebro foi extraído e obtido o hipocampo. No hipocampo, foi analisada a concentração de citocinas pró e anti-inflamatórias, bem como monoaminas e metabólitos e aminoácidos neurotransmissores. Resultados: Após o tratamento com a DC foram observadas diferenças na abundância relativa da microbiota intestinal. Na fase experimental todos os grupos foram semelhantes em relação a alfa diversidade, porém distintos em relação a betadiversidade. O grupoEpiTFMR apresentou menor abundância relativa de bactérias do gênero Turicibacter e Clostridium Senso Stricto 11 em comparação ao grupo controle. Entre os grupos EpiSTFM e EpiTFMR o único gênero que apresentou diferença em relação à abundância relativa foi o Eubacterium Siraem Group com menor abundância no grupo EpiTFMR. Em análises de associações multivariadas foi possível observar que o grupo EpiTFMR apresentou 1,4 vezes mais bactérias Alistipes.Alistipes_shahii.otu_108 tanto em comparação ao grupo controle quanto ao grupo EpiSTFM. O grupo EpiTFMR também apresentou menos bactérias Mucispirillum.uncultured_bacterium.otu_691 (2,2 vezes menos) em comparação ao grupo EpiSTFM. A concentração de IL1B, bem como razão (IL1RA/IL1B) do grupo EpiSTFM foi significativamente superior aos grupos controle e EpiTFMR. A citocina antiinflamatória IL10, no grupo controle, teve tendência para menor mediana de concentração em comparação com o grupo EpiSTFM, sendo que o grupo EpiTFMR apresentou concentrações desta citocina similares ao grupo controle. Não foram observadas diferenças nas concentrações de monoaminas e aminoácidos neurotransmissores, entretanto houve diferenças nas taxas de utilização de glutamina/glutamato que foi superior no grupo EpiTFMR em comparação ao controle. Conclusão: No presente estudo foi possível concluir que o transplante fecal de microbiota em ratos com epilepsia do lobo temporal induzidos quimicamente com lítio pilocarpina e pilocarpina proveniente de um paciente com epilepsia farmacorresistente tratado durante 3 meses com DC e com boa eficácia clínica no controle de crises foi capaz de alterar a abundância relativa da microbiota intestinal conferindo um perfil anti-inflamatório mais semelhante aos animais controles saudáveis do que altos animais com epilepsia e sem transplante e com alteração na taxa de utilização dos marcadores de neurotransmissão.