Distribuição de renda no Brasil: avaliação das tendências de longo prazo e mudanças na desigualdade desde meados dos anos 70

O trabalho analisa mudanças na distribuição pessoal da renda no Brasil a partir dos dados censitários de 1960, 1970 e 1980 e das pesquisas domiciliares anuais (PNAD) do IBGE para o período 1976/90, tentando identificar mecanismos capazes de explicar como a política econômica e o desempenho macroecon...

Full description

Bibliographic Details
Authors: Bonelli, Regis, Ramos, Lauro Roberto Albrecht
Format: article
Status:Published version
Publication Date:1993
Country:Brasil
Institution:Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)
Repository:Repositório Institucional da IPEA (RCIpea)
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:repositorio.ipea.gov.br:11058/2493
Online Access:http://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/2493
Access Level:Open access
Keyword:Distribuição de renda
Concentração de renda
Desigualdade econômica
Description
Summary:O trabalho analisa mudanças na distribuição pessoal da renda no Brasil a partir dos dados censitários de 1960, 1970 e 1980 e das pesquisas domiciliares anuais (PNAD) do IBGE para o período 1976/90, tentando identificar mecanismos capazes de explicar como a política econômica e o desempenho macroeconômico influenciaram a evolução da desigualdade ao longo do tempo. A evidência de longo prazo é a de um quase contínuo aumento na concentração de renda, especialmente nos anos 60. Essa tendência de longo prazo não parece ter sido afetada pelo bom desempenho macroeconômico nas décadas de 60 e 70 consideradas pelos seus anos extremos. A estagnação da renda ao longo dos anos 80 foi acompanhada por perdas absolutas de renda para quase todos os percentis da distribuição (exceto mais rico), ao contrário das décadas anteriores. O comportamento no curto prazo, por outro lado, parece ter sido afetado pelo desempenho macroeconômico: há evidência de que o crescimento do produto está positivamente associado à redução da desigualdade, ao passo que altas taxas de inflação estão associadas a aumentos na concentração. Uma análise de decomposição ressalta o papel da educação na explicação da desigualdade, mas identifica nas mudanças na composição da estrutura da força de trabalho o principal mecanismo subjacente às variações na desigualdade desde meados da década de 70.