Ato: fundamentos de feitura para danças negras teatrais

Neste trabalho, proponho a sistematização do fazer-saber para a criação artística em dança a partir de princípios de existência presentes nos modos de vivência e saberes da comunidade-terreiro Inzo Musambu Hongolo Menha – Casa do Arco-Íris, nas reminiscências bantu-kongo presentes nela e num repertó...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Paula, Franciane Salgado de [UNESP]
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2023
País:Brasil
Institución:Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Repositorio:Repositório Institucional da UNESP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.unesp.br:11449/243017
Acceso en línea:http://hdl.handle.net/11449/243017
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Ancestry
Dances
Theatrical dance
Muntu
Poetics
Ancestralidad
Danzas
Danza teatral
Poética
Ukulu
Makinu
Dikinu dya kumoneka
Mukumbi
Arte e dança
Negros - Dança
Dança - Influências africanas
Descripción
Sumario:Neste trabalho, proponho a sistematização do fazer-saber para a criação artística em dança a partir de princípios de existência presentes nos modos de vivência e saberes da comunidade-terreiro Inzo Musambu Hongolo Menha – Casa do Arco-Íris, nas reminiscências bantu-kongo presentes nela e num repertório estético de dança teatral contemporânea que perpassa toda a formação e vivências artísticas por mim experienciada. Tendo como pressupostos a compreensão de que somos muntu (ser humano para povos banto); de kalunga (força da criação) como motriz dramatúrgica para apreensão das complexas sutilezas motriciais das danças da tradição de matrizes africanas e das danças teatrais contemporâneas; e da encruzilhada como espaço de amálgama dos gestos, foi elaborada uma série de aulas-laboratórios nomeadas de “Ntoto” (terra), para o despertar de muntu da(o) artista da dança, artista cênico; de “Maza” (água), para assentar seu estado de movência rítmica; de “Ntubudí“ (ventarola), para a sua expansão corporal e de suas ações rítmicas com/no espaço e, por fim, “Nzila” (sistema), para o encontro de todo o conjunto de procedimentos de investigações técnicas e criativas vividas para o ato de dançar cenicamente. Para a corporificação da tese partindo desta sistematização, deu-se a criação do ensaio poético coreográfico Ato. O chão metodológico para o desenvolvimento desta pesquisa foi a proposta pluricultural Corpo e Ancestralidade, que abarca concomitantemente as instâncias da prática artística, da pesquisa de campo e vivências comunitárias-familiares, considerando relevante as experiências da pesquisadora em suas práticas artísticas, artístico-pedagógicas e em sua comunidade-terreiro na relação com as experiências das(os) intérpretes-criadoras(es) de Ato, aproximando os aprendizados artísticos dos aprendizados na comunidade-terreiro, o espaço de criação artística com o processo iniciático regido pelo segredo e o jogo. Ao entrelaçar as várias encruzilhadas artísticas, estéticas, culturais e de modos de vida no presente trabalho, busquei instaurar um rito cênico e fundamentar uma prática de dança negra teatral evidenciando a sua poética cosmogônica das relações concretas entre mundos visível e invisível na espiral do espaço-tempo-ser, circunscrevendo abordagens éticas, artísticas e estéticas afrorreferenciadas e fomentando nas(os) interpretes-criadoras(es) de Ato modos de vivência em arte numa perspectiva da poética da presentificação oriunda das artes tradicionais africano-brasileiras.