Willy Aureli e a Bandeira Piratininga : expedições, imprensa e literatura (1937-1968)

Willy Aureli (1898-1968) foi um jornalista, escritor, sertanista e indigenista paulista que entre 1937-1959 criou e liderou a Bandeira Piratininga, um grupo de expedição privada. Essa Bandeira viajou em cinco ocasiões diferentes para a mesopotâmia dos rios Araguaia e das Mortes, almejando alcançar m...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Kurtz, Leonardo Birnfeld
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2023
País:Brasil
Institución:Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:tede2.pucrs.br:tede/10692
Acceso en línea:https://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/10692
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Era Vargas
Marcha para o Oeste
Indigenismo
Willy Aurel
Bandeira Piratininga
Indigenism
Willy Aureli
CIENCIAS HUMANAS::HISTORIA
Descripción
Sumario:Willy Aureli (1898-1968) foi um jornalista, escritor, sertanista e indigenista paulista que entre 1937-1959 criou e liderou a Bandeira Piratininga, um grupo de expedição privada. Essa Bandeira viajou em cinco ocasiões diferentes para a mesopotâmia dos rios Araguaia e das Mortes, almejando alcançar marcos geográficos, mapear rios e fazer contato com indígenas da região, especialmente Carajás, Caiapós, Tapirapés e Xavantes. O grupo se configurou como uma iniciativa privada cujo financiamento dependia em grande parte de cidadãos paulistas, empresas, editoras e periódicos. Suas atividades, mesmo que privadas, entravam em consonância com os objetivos da Marcha para o Oeste. Ainda assim, sua trajetória foi alvo de críticas de autoridades vinculadas ao Estado, jornalistas, cientistas e missionários, fato que obrigou Aureli a constantemente se preocupar em fazer concessões, negociar e defender-se na imprensa e em livros de sua autoria. Dessa forma, Willy e sua Bandeira participaram de um campo de disputa cujos diferentes agentes competiam pela primazia de uma forma de contatar indígenas, explorar a natureza e produzir conhecimento. Utilizando-se da literatura, com a análise de 8 dos 10 livros de Aureli, e da imprensa, pesquisando notícias vinculadas à Bandeira Piratininga nos acervos de O Globo, Folha de São Paulo e Hemeroteca Digital entre os anos de 1937-2022, foi possível descrever de forma minuciosa as expedições de 1937 e 1938 e analisar a forma como Willy se posicionava no campo indigenista. As duas primeiras incursões podem ser compreendidas como momentos formadores da Piratininga que possibilitaram identificar a constituição dos integrantes, financiamento, objetivos e itinerários. A análise da maneira como Aureli se constituía discursivamente perante seus interlocutores, assim como quando se dirigia a outros, resultou na identificação de uma série de tendências e eventuais mudanças na sua forma de descrever a natureza, indígenas, sertanejos, agentes do Estado e missões cristãs que atuavam na região explorada. Ao longo de sua vida e obra, Willy buscou constituir-se como observador crível do sertão, cuja fonte de credibilidade estava na sua experiência empírica do local, opondo-se à acadêmicos ou agentes indigenistas que demonstravam ceticismo quanto aos resultados e a ação da Piratininga.