Karen Horney, o feminismo e a feminilidade:um desmentido na história da psicanálise

Este trabalho visa a demonstrar as especificidades da historiografia psicanalítica a partir da história de uma figura um tanto marginalizada, Karen Horney. Apesar de já se saber que a História enquanto disciplina não é apenas a escrita de uma sequência de fatos, mas antes uma maneira de organizar de...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Amorim, Patricia Mafra de
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2021
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-23062021-174843
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-23062021-174843/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Desmentido
Disavowal
Feminilidade
Femininity
Feminism
Feminismo
História da Psicanálise
History of psychoanalysis
Karen Horney
Descripción
Sumario:Este trabalho visa a demonstrar as especificidades da historiografia psicanalítica a partir da história de uma figura um tanto marginalizada, Karen Horney. Apesar de já se saber que a História enquanto disciplina não é apenas a escrita de uma sequência de fatos, mas antes uma maneira de organizar determinada narrativa, fazemos um retorno aos primórdios da psicanálise e sua institucionalização para analisar um fenômeno comumente apontado por psicanalistas e historiadores deste campo: a exclusão de uma autora e suas contribuições. Estudiosos já chamaram este tipo de exclusão de repressão, recalque, morte pelo silêncio, entre outros tantos nomes na tentativa de compreender as influências, tanto do contexto sociopolítico quanto das mais sutis dimensões transferenciais na transmissão da psicanálise ao longo do tempo. Nesta tese, no entanto, utilizamos a noção de trauma em Sándor Ferenczi para dar conta do desafio de compreender a marginalização de uma psicanalista que teve voz ativa nos principais debates teórico-institucionais do campo, foi co-fundadora dos Institutos Psicanalíticos de Berlim e Chicago, questionou o falocentrismo da psicanálise, inserindo pautas feministas em suas teorizações; mas que teve sua figura e contribuições deixadas de lado por muito tempo. Para atingir esse objetivo, o texto divide-se em cinco capítulos, sendo o primeiro destinado a considerações de cunho epistemológico sobre a História, a Psicanálise e a historiografia psicanalítica. O segundo, terceiro e quarto capítulo, com discussões metapsicológicas e históricas, desenvolvem a ideia central da tese: o processo traumático do desmentido como chave interpretativa para os acontecimentos que levaram ao esquecimento de Karen Horney. Dessa forma, cada um desses capítulos destinou-se a fazer a transposição da teoria da traumatogênese ferencziana da clínica para a historiografia, dividindo-a em três tempos: a confusão de línguas; o testemunho; e o desmentido. Finalmente, o quinto capítulo apresenta os resultados e considerações finais da pesquisa, apontando futuras possibilidades de investigação na área