A multifuncionalidade do advérbio "realmente" na língua portuguesa sob a perspectiva da gramaticalização de construções

Adotando a perspectiva da gramaticalização de construções (TRAUGOTT, 2003, 2009), realizamos, neste trabalho, a análise da multifuncionalidade do advérbio "realmente" na língua portuguesa, buscando instanciar seus diferentes usos e definir de que maneira seria estabelecida sua rede constru...

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Detalles Bibliográficos
Autor: Lacerda, Patrícia Fabiane Amaral da Cunha
Tipo de recurso: artículo
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2012
País:Brasil
Institución:Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Repositorio:Repositório Institucional da UFJF
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:hermes.cpd.ufjf.br:ufjf/8148
Acceso en línea:http://dx.doi.org/10.1590/S1981-57942012000100008
https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/8148
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:-
Gramaticalização de construções
Subjetivização
Rede construcional
Modalização epistêmica
Construction grammaticalization
Subjectification
Constructional network
Epistemic modality
Descripción
Sumario:Adotando a perspectiva da gramaticalização de construções (TRAUGOTT, 2003, 2009), realizamos, neste trabalho, a análise da multifuncionalidade do advérbio "realmente" na língua portuguesa, buscando instanciar seus diferentes usos e definir de que maneira seria estabelecida sua rede construcional. A partir de uma pesquisa pancrônica, que considerou corpora compreendidos entre o século XIII e o português contemporâneo, demonstramos como a multifuncionalidade de "realmente" revela um cline de gramaticalização, em que se observa uma ampliação de sua frequência de uso em contextos reconhecidamente mais subjetivos. Consideramos, portanto, que a gramaticalização pode ser concebida como um processo através do qual as construções - que primeiro expressam significados concretos/lexicais/objetivos - passariam, a partir da reiteração de seu padrão de uso, a indicar funções abstratas/pragmáticas/interpessoais baseadas na crença dos falantes (TRAUGOTT, 1995, 2010; TRAUGOTT; DASHER, 2005). Os resultados obtidos apontam, nesse sentido, que o advérbio "realmente" atuaria como um marcador epistêmico de evidência factual e subjetiva, gramaticalizando-se do factual para o subjetivo.