O método dos tipos nomenclaturais na taxonomia biológica e a modalidade de dicto

Este artigo tem por objetivo discutir, a partir da interface entre filosofia da biologia e filosofia da linguagem, um caso de identificação equivocada de espécime-tipo. Um espécime-tipo é um organismo escolhido para servir como portador do nome de um táxon biológico. Esse procedimento, chamado de mé...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Brzozowski, Jerzy
Tipo de recurso: artículo
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2020
País:Brasil
Institución:Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Repositorio:Peri
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:ojs.sites.ufsc.br:article/4019
Acceso en línea:https://ojs.sites.ufsc.br/index.php/peri/article/view/4019
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:nomenclatura biológica
teoria causal da referência
critérios de aplicação
modalidade de dicto
designação rígida
Descripción
Sumario:Este artigo tem por objetivo discutir, a partir da interface entre filosofia da biologia e filosofia da linguagem, um caso de identificação equivocada de espécime-tipo. Um espécime-tipo é um organismo escolhido para servir como portador do nome de um táxon biológico. Esse procedimento, chamado de método dos tipos nomenclaturais, é regulamentado pelos códigos internacionais de nomenclatura biológica atualmente vigentes. O método dos tipos nomenclaturais, de acordo com diversos filósofos, se conformaria à teoria causal-histórica da referência, e teria por objetivo garantir a rigidez dos nomes dos táxons biológicos. Recentemente, essa visão foi desafiada por Matt Haber, que levantou o exemplo de identificação equivocada do espécime-tipo de uma subespécie de cobra, Thamnophis sirtalis infernalis, o qual na verdade pertencia à subespécie T. s. tetrataenia. Haber argumenta que esse exemplo torna falsa a afirmação modal de dicto “necessariamente, todo táxon que tem um espécime-tipo contém seu espécime-tipo”. A falseação ocorreria pois T. s. infernalis não conteria, de fato, seu espécime-tipo. O argumento de Haber foi contestado por um defensor da teoria causal, Joeri Witteveen, que afirma que a falseação nunca teria ocorrido, pois a situação descrita por Haber seria impossível do ponto de vista dos códigos de nomenclatura. Neste artigo, argumentarei que a discussão sobre se o caso falseia ou não a afirmação de dicto está mal-encaminhada, pois a modalidade em questão é de ordem deontológica, e não metafísica. O diagnóstico que oferecerei para o caso apresentado apela para uma avaliação pragmática dos usos dos nomes em questão. Argumentarei que um uso espúrio, mas pragmaticamente válido, desses nomes constituiu o pivô da renegociação dos critérios de aplicação subjacentes.