Bolsonaro e a laicidade brasileira em questão?

Durante a campanha eleitoral de 2018 e ao longo do seu mandato, o presidente Jair Bolsonaro usou várias vezes a palavra laicidade, reconhecendo ser ela um dispositivo legal da sociedade brasileira. No entanto, o emprego da palavra laicidade veio sempre acompanhado da palavra cristianismo, mostrando...

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Detalles Bibliográficos
Autor: Oro, Ari Pedro
Tipo de recurso: artículo
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2022
País:Brasil
Institución:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Repositorio:Repositório Institucional da UFRGS
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:www.lume.ufrgs.br:10183/262858
Acceso en línea:http://hdl.handle.net/10183/262858
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Bolsonaro, Jair, 1955-
Governo Jair Messias Bolsonaro : 2019-2022
Estado
Religião
Laicidade
Secularism
Conservatism
Evangelicals
Bolsonaro-style secularism
Descripción
Sumario:Durante a campanha eleitoral de 2018 e ao longo do seu mandato, o presidente Jair Bolsonaro usou várias vezes a palavra laicidade, reconhecendo ser ela um dispositivo legal da sociedade brasileira. No entanto, o emprego da palavra laicidade veio sempre acompanhado da palavra cristianismo, mostrando que na lógica do presidente esta última se revela preeminente em relação à primeira. Este texto anuncia pistas para mostrar que a referência cristã evidenciada pelo presidente consiste no cristianismo conservador e, em última instância, no segmento evangélico conservador, com o qual mantém forte alinhamento político e religioso. Assim sendo, é aqui argumentado, por um lado, que Bolsonaro navega nas águas do reconhecimento do princípio constitucional de regulação do religioso que prevê a dissociação do campo político e do campo religioso sem, todavia, impedir aproximações e mesmo imbricações entre eles. Mas, por outro lado, que Bolsonaro, não sem interesses, introduz reconfigurações importantes na histórica laicidade brasileira, como o exagero em apelar ao transcendente; a exacerbação do estreitamento da relação entre Estado e religião; e o empenho em aprofundar sua aliança com o segmento evangélico conservador, razão pela qual pode-se dizer que estamos vivendo na atualidade tempos de “laicidade à Bolsonaro”.