“Grandes doentes de corpo e de cabeça” : a presença de Voltaire e Jean-Jacques Rousseau na obra de Lima Barreto

Resumo: O objetivo desta tese é analisar a presença de Voltaire (1694-1778) e Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) na obra de Lima Barreto (1881-1922). Nos gêneros textuais aos quais se dedicou ao longo de sua trajetória literária, Lima Barreto exibiu um estreito contato com as manifestações culturais...

Full description

Bibliographic Details
Author: Silva, Rodrigo Aparecido Ribeiro da [UNESP]
Format: doctoral thesis
Status:Published version
Publication Date:2024
Country:Brasil
Institution:Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Repository:Repositório Institucional da UNESP
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:repositorio.unesp.br:11449/258801
Online Access:https://hdl.handle.net/11449/258801
Access Level:Open access
Keyword:Barreto, Lima, 1881-1922
Voltaire, 1694-1778
Rousseau, Jean-Jacques, 1712-1778
Intertextualidade
Sátira
Paródia
Ironia
Crônica
Literatura - Influências francesas
Intertextualité
Satire
Parodie
Ironie
Chronique
Description
Summary:Resumo: O objetivo desta tese é analisar a presença de Voltaire (1694-1778) e Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) na obra de Lima Barreto (1881-1922). Nos gêneros textuais aos quais se dedicou ao longo de sua trajetória literária, Lima Barreto exibiu um estreito contato com as manifestações culturais europeias, com destaque para aquelas que circularam na língua francesa. Por meio de alusões, citações e pseudônimos disseminados em textos publicados sobretudo na imprensa, o escritor brasileiro joga com sua memória, impõe sua biblioteca e põe os textos que retoma em relação com sua própria escrita combativa. Reconhecido como um autêntico satirista, o autor de Bruzundangas faz mais do que citar obras e autores ou aludir a passagens. Ele põe frequentemente o intertexto a serviço da intencionalidade satírica. Ao acionar a memória da escritura em suas produções, o escritor dá às referências, alusões e citações uma função mais pragmática: a de contribuir para a contraposição própria da sátira, que visa, entre outros propósitos, corrigir condutas, desconstruir ideias cristalizadas e desvelar mecanismos de falseamento da realidade. Defende-se neste trabalho a tese de que a presença de Voltaire e Jean-Jacques Rousseau, autores amplamente conhecidos por sua postura contestatória em relação aos valores e crenças de seu tempo, ocorre numa perspectiva satírica. A partir do estudo comparativo de crônicas e de um conto de Lima Barreto, com base nas formulações sobre a intertextualidade a partir de Samoyault (2008), Genette (2006) e Compagnon (1996); sobre a sátira (e suas técnicas), a paródia, a ironia e a caricatura, segundo Almeida (2013), Bosi (1977), Brayner (1979), Fantinati (1978; 2012), Figueiredo (1995, 1997), Frye (2014), Hodgart (1969), Hutcheon (1989) e Sangsue (1994), concluímos que o posicionamento de Lima Barreto em relação a Voltaire é de evidente admiração e homenagem à tradição da sátira, como bem ressaltou Corrêa (2016). O escritor brasileiro não apenas retoma o filósofo e escritor francês por meio de alusões e citações, como também utiliza o pseudônimo Ingênuo em parte de sua produção cronística, incorporando uma persona satírica de forma semelhante ao procedimento utilizado pelo autor de L’ingénu. A relação estabelecida com a obra de Rousseau, no entanto, é distinta e se intensifica apenas a partir de 1918, quando o cenário de crise após a Primeira Guerra Mundial, observado pelo espelho satírico de Lima, parece abalar a crença nos ideais como os expressos no Contrat Social e fazer o escritor se desmotivar diante da banalização do discurso.