“E eu não sou uma mulher?” Um estudo psicanalítico acerca da feminilidade negra

Nosso estudo se propôs a investigar, a partir de narrativas de mulheres negras, as percepções e significados de suas experiências enquanto mulheres. E, a partir disso, identificar os marcadores da diferença de suas vivências em torno da feminilidade e o que possibilita que uma mulher negra construa...

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Detalles Bibliográficos
Autor: Corsino, Debora Lydinês Martins
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2023
País:Brasil
Institución:Universidade Estadual de Londrina (UEL)
Repositorio:Repositório Institucional da UEL
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.uel.br:123456789/17394
Acceso en línea:https://repositorio.uel.br/handle/123456789/17394
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Psicanálise
Relações raciais
Mulheres negras
Feminino
Feminilidade (Psicanálise)
Ciências Humanas - Psicologia
Psychoanalysis
Race relations
Black women
Feminine
Femininity (Psychoanalysis)
Descripción
Sumario:Nosso estudo se propôs a investigar, a partir de narrativas de mulheres negras, as percepções e significados de suas experiências enquanto mulheres. E, a partir disso, identificar os marcadores da diferença de suas vivências em torno da feminilidade e o que possibilita que uma mulher negra construa discursos, compreensões e experimente a feminilidade de uma forma própria. Essas interrogações partiram de uma pesquisa anterior, em que foi possível identificar o referencial de feminilidade difundido no laço social pautado pela mulher branca e observar as representações do laço social que ficam coladas à imagem das mulheres negras, como da babá, da doméstica, da mulher forte, além da hiperssexualização de seus corpos e da depreciação dos traços fenotípicos. Apoiamos-nos na perspectiva metodológica da pesquisa psicanalítica dos fenômenos sociais e políticos, por compreender que nossa questão advém de um impasse político-social, que será examinado a partir da relação transferencial e da indissociabilidade entre teoria, clínica e pesquisa. Utilizamos o recurso de entrevistas enquanto instrumento para a produção do material que permitirá a busca de significantes acerca da nossa questão de pesquisa presentes nos discursos das participantes. Assim realizamos entrevistas com três mulheres negras que foram convidadas a compartilhar suas histórias e experiências enquanto mulher. Tecemos também um debate teórico, inicialmente a partir de um percurso sócio-histórico da mulher negra, trazendo para a cena a mulher negra de ontem e a de hoje. Num segundo momento, apresentamos as proposições de Freud e Lacan acerca do feminino e da feminilidade e as considerações de Souza, Gonzalez, Nogueira e Kilomba, que abordam as questões experienciadas pelas mulheres negras e possibilitaram uma mobilização teórica no campo psicanalítico. A partir do debate teórico e dos elementos colhidos nas entrevistas, foi possível identificar as atualizações da imagem da mãe preta, a experiência da mulher negra com seu corpo, a sexualidade e o amor, as disparidades da relação da mulher negra com a mulher branca e o homem negro, os significados dos símbolos utilizados por mulheres negras e como uma mulher negra atravessa a experiência de tornar-se mulher e negra a partir de outra mulher negra como referência. Consideramos que este estudo propôs um debate em torno das singularidades das experiências de feminilidade da mulher negra, bem como apontou que é possível produzir algo dessa vivência a partir da lógica do não-todo