Sujeito, ação coletiva e mobilização: a brinquedoteca hospitalar e o direito ao brincar

Lima Barreto escreveu, em seu conto “Um músico extraordinário”, que a infância não seria uma fase da vida nem melhor nem pior que as outras. Para o escritor, o que tornaria a infância tão encantadora aos nossos olhos de adultos é que, nessa fase da vida, “[...] nossa capacidade de sonho é maior e ma...

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Detalles Bibliográficos
Autores: Lopes, Bruna Alves, Oliveira Júnior, Constantino Ribeiro de, Barros, Solange Aparecida Barbosa de Moraes
Tipo de recurso: artículo
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2015
País:Brasil
Institución:Universidade Federal do Ceará (UFC)
Repositorio:Repositório Institucional da Universidade Federal do Ceará (UFC)
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.ufc.br:riufc/18121
Acceso en línea:http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/18121
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Brinquedoteca hospitalar
Ação coletiva
Mobilização
ECA
Patrimônio lúdico
Descripción
Sumario:Lima Barreto escreveu, em seu conto “Um músico extraordinário”, que a infância não seria uma fase da vida nem melhor nem pior que as outras. Para o escritor, o que tornaria a infância tão encantadora aos nossos olhos de adultos é que, nessa fase da vida, “[...] nossa capacidade de sonho é maior e mais força temos de identificar os nossos sonhos com a nossa vida” (BARRETO, 2001, p. 158). Essa capacidade de sonhar na infância está relacionada com a ação do brincar caracterizada como uma experiência criativa, espontânea e, por isso, terapêutica por si própria (MEDRANO, 2004). O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), no seu art. 16, reconhece o brincar como um direito de liberdade. Entretanto, mesmo com esse reconhecimento legal, a ação do brincar encontra alguns empecilhos: às vezes, por questões culturais, que desvalorizam os significados de tais atividades, fazendo com que o tempo que, supostamente destinado às brincadeiras, passe a ser preenchido com outras atividades consideradas por muitos como mais apropriadas para as crianças (como infinitas aulas – de idiomas, música, informática, balé, etc.). Em outros momentos, a falta de brinquedos e a perda de espaços que outrora eram utilizados para as brincadeiras (campinhos ou terrenos baldios, praças, ruas, entre outros) acabam se tornando obstáculos entre crianças, ou adolescentes, e as atividades lúdicas. Há, também, as limitações impostas quando, por causa de algum acidente ou enfermidade, a hospitalização se faz necessária. Uma das alternativas criadas, em diversos países – Portugal, Espanha, EUA, Brasil, entre outros – foi a elaboração das chamadas brinquedotecas. Fortuna (2011) caracteriza tais espaços como ambientes que estimulam o livre brincar, além de ser um instrumento de acesso ao patrimônio lúdico. Complementando essa visão, Lourenço, Santa e Abecasis (2011) compreendem as brinquedotecas como espaços privilegiados para a defesa do direito ao brincar. A brinquedoteca instalada na Escola de Indianápolis, na década de 1980, é apontada como sendo a primeira brinquedoteca brasileira; isso porque sua prioridade não estava no empréstimo do brinquedo, mas no brincar. Foi administrada por voluntários, e a aquisição / manutenção do acervo era bancada por voluntários e pela ajuda de alguns fabricantes (CUNHA, 1992)...