A multiplicidade de visões dos entregadores sobre o trabalho por plataformas digitais: da valorização da flexibilidade às formas de cooperação e resistência

Este trabalho, que está inserido dentro da agenda de estudos que examina o processo de plataformização e seus impactos sobre o mundo do trabalho, tem por objetivo principal discutir as percepções e os discursos formulados por entregadores que atuam por meio de plataformas digitais acerca das condiçõ...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Scerb, André
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2024
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-28012025-102811
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-28012025-102811/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Affordances
Algorithmic management
Gerenciamento algorítmico
Labor markets
Mercados de trabalho
Occupational trajectories
Platform work
Trabalho por plataformas
Trajetórias ocupacionais
Descripción
Sumario:Este trabalho, que está inserido dentro da agenda de estudos que examina o processo de plataformização e seus impactos sobre o mundo do trabalho, tem por objetivo principal discutir as percepções e os discursos formulados por entregadores que atuam por meio de plataformas digitais acerca das condições e do cotidiano vivenciado no exercício dessa atividade. O estudo baseou-se na realização de pesquisa de campo em duas frentes; uma presencial, que contou com a condução de entrevistas, além da realização de observação participante atuando como entregador por plataformas de delivery na cidade de São Paulo, e, outra, digital, feita a partir do acompanhamento e da análise das interações de entregadores em grupos de conversa em aplicativos de mensagens instantâneas. Argumenta-se que as percepções desses sujeitos acerca do seu trabalho, a despeito das particularidades e da heterogeneidade de perfis daqueles que compõem o grupo, são formuladas em termos das vantagens e desvantagens que eles enxergam no trabalho, as quais são, em geral, elaboradas com base em outras experiências ocupacionais experimentadas em suas trajetórias, e nas perspectivas e oportunidades de inserção no mercado que vislumbram ou não. As noções de flexibilidade, autonomia, e a sensação que eles têm de ganhar de acordo com o próprio esforço são tidas como grandes convenientes dessa modalidade de trabalho pela maioria dentre esses trabalhadores. Num segundo momento da pesquisa, foca-se nos usos feitos por entregadores das plataformas de comunicação instantânea e defende-se o argumento de que elas servem como instrumento de socialização entre os membros dos grupos, mas, mais do que isso, como ferramenta de contrabalanceamento do poder algorítmico das plataformas, na medida em que são mobilizadas como um espaço de trocas de experiências, resolução de dúvidas e problemas frente à assimetria de poder e informação que é característica do chamado gerenciamento algorítmico do trabalho. Argumenta-se ainda que a comunicação estabelecida por meio das plataformas de mensagens são instrumentos de resistência porque servem também à mobilização e à organização dos trabalhadores que derivam do compartilhamento e da elaboração coletiva realizada pela troca de experiências, que, no limite, contribui para a promoção da coesão e a formação de identidades no interior do grupo