Experiências vivenciais: ser sobrevivente enlutado por suicídio sendo profissional da saúde

O suicídio é uma questão de saúde pública, que teve um aumento considerável nos últimos 10 anos (2010 – 2019) em todo o mundo. No Brasil não foi diferente. Esse fenômeno é considerado complexo e multifatorial, abrangendo diversos aspectos e áreas do conhecimento que são implicadas durante todo o pro...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Sturbelle, Michele Nunes Guerin
Formato: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2024
País:Brasil
Recursos:Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)
Repositorio:Repositório Institucional da UFPel - Guaiaca
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:guaiaca.ufpel.edu.br:prefix/14477
Acesso em linha:http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/handle/prefix/14477
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:LINGUISTICA, LETRAS E ARTES
Luto
Suicídio
Profissionais da saúde
Abordagem centrada na pessoa
Psicologia
Mourning
Suicide
Health professionals
Person-centered approach
Psychology
ENFERMAGEM
Descrição
Resumo:O suicídio é uma questão de saúde pública, que teve um aumento considerável nos últimos 10 anos (2010 – 2019) em todo o mundo. No Brasil não foi diferente. Esse fenômeno é considerado complexo e multifatorial, abrangendo diversos aspectos e áreas do conhecimento que são implicadas durante todo o processo. Já o luto é uma forte reação à quebra de um laço afetivo e do bem estar que havia até então, gerando um sofrimento específico. Pelo caráter repentino e violento do suicídio o luto, nesses casos, pode gerar culpa e autoacusação, demandando muita energia psíquica para a sua elaboração, o que levou a denominar este enlutado como sobrevivente. Esta pesquisa teve como objetivo compreender as experiências vivenciadas por profissionais da saúde que se tornaram sobreviventes enlutados por suicídio após a perda de familiar, amigo ou pessoa significativa, considerando também as perdas no exercício da profissão. O marco conceitual foi baseado nos preceitos da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), de Carl Rogers, a qual traz conceitos fundamentais, tais como a tendência atualizante e as atitudes facilitadoras (empatia, congruência e aceitação incondicional) que são relevantes para tratar do tema proposto, que mesmo sendo um fenômeno universal, causa efeitos individuais e diferentes em cada pessoa. Subsidia também a entrevista não-diretiva que foi utilizada como instrumento de coleta de dados, tendo como questão norteadora “Fale sobre seu vínculo e toda a experiência vivida em relação ao suicídio ocorrido”. A coleta de dados ocorreu nos meses de Agosto, Setembro e Outubro de 2023. Foram realizadas 10 entrevistas com profissionais da saúde de duas instituições hospitalares da cidade de Pelotas/ RS, sendo nove mulheres e um homem, dos quais uma é psicóloga, uma arteterapeuta, quatro enfermeiros e quatro técnicos em enfermagem. A análise dos dados foi baseada no Modelo Fenomenológico Empírico (MFE), de Amedeo Giorgi, o qual satisfaz a necessidade de compreensão da proposta deste estudo. Após a análise dos dados foram formuladas quatro categorias: “História e percepção da morte por suicídio”; “Percepção da influência da morte e luto na saúde e curso da vida”; “Percepção das atividades laborais após a morte e o luto” e “Tendência atualizante e atitudes facilitadoras presentes nos discursos”. Os resultados e discussão evidenciam que todos os entrevistados têm dificuldade em compreender o fenômeno do suicídio e sua ocorrência, mesmo assim, todos sofreram algum impacto decorrente da morte e do luto por suicídio. Destacou-se a urgência da necessidade de intervenções institucionais com todos os colaboradores, tanto pelo luto quanto por possíveis adoecimentos psíquicos, criando assim, um clima favorável e atitudes facilitadoras que contribuem para o enfrentamento da morte e luto e também como forma de prevenção de adoecimentos e fatalidades futuras.