Os discursos sobre árabes e muçulmanos nos livros didáticos de História da Rede Adventista de Educação: por uma decolonialidade didática

Esta tese versa a respeito dos discursos sobre árabes e muçulmanos/as nos livros didáticos de História do Ensino Fundamental II da Rede Adventista de Educação. Árabes e muçulmanos/as exerceram significativa importância histórica, cultural, filosófica, técnica e científica para a Europa, para a ocide...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Adi, Ashjan Sadique
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2023
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-03102023-091918
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59142/tde-03102023-091918/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Árabes e muçulmanos
Arabs and Muslims
Decolonialidade
Decoloniality
History textbooks
Livros didáticos de História
Descripción
Sumario:Esta tese versa a respeito dos discursos sobre árabes e muçulmanos/as nos livros didáticos de História do Ensino Fundamental II da Rede Adventista de Educação. Árabes e muçulmanos/as exerceram significativa importância histórica, cultural, filosófica, técnica e científica para a Europa, para a ocidentalização, para a modernidade, entretanto, isso é pouco conhecido pelo público em geral. Sendo assim, a justificativa desta pesquisa se deu pelo fato destes grupos terem a riqueza de suas histórias frequentemente ocultadas pela narrativa hegemônica e por serem estereotipados e discriminados há séculos, nos mais diferentes meios e formas. Neste sentido, o objetivo geral consistiu em averiguar como os livros selecionados discursam sobre estes contextos, e comparar estas narrativas com as referentes às conjunturas europeias, africanas e indígenas, haja vista estes últimos povos serem as principais vítimas da colonialidade e do epistemicídio nas Américas. Deste modo, analisamos e discutimos os capítulos voltados ao Islam, às Cruzadas, ao Renascimento, às Grandes Navegações, aos povos indígenas e africanos, assim como os capítulos que discorrem sobre países do Oriente Médio e o item a respeito da Revolta dos Malês. A fundamentação teórica baseou-se em estudos historiográficos, educacionais, psicossociais, sociológicos e geopolíticos, constituindo uma pesquisa interdisciplinar e do âmbito da representação. A metodologia consistiu em análise crítica do discurso e pesquisa bibliográfica referente aos temas trazidos pelos livros, sendo a Decolonialidade o eixo de nossa análise e referencial teórico. Como resultados, constatamos que os livros preservam a perspectiva eurocêntrica tradicional da História; quanto aos muçulmanos/as não trazem uma versão estereotipada, mas silenciam sua importância para o mundo; por sua vez, os árabes ainda são apresentados em contextos estritamente bélicos e a respeito de africanos/as e indígenas apresentam um avanço na narrativa colonial clássica. Como considerações finais, refletimos que a narrativa imprescinde de uma mudança epistêmica, que expresse a diversidade do mundo em detrimento do privilégio eurocêntrico, assim como, revele a presença da interculturalidade na formação identitária brasileira, de modo a dirimir preconceitos, intolerâncias e discriminações e fazer emergir os que se encontram silenciados em seus saberes e riquezas. Afinal, cada um e cada uma de nós somos muitos e muitas.