Adiposidade central e adiponectina em pacientes em diálise peritoneal: uma análise prospectiva

A doença renal crônica (ORC) é uma síndrome clínica decorrente da perda lenta, progressiva e irreversível das funções renais. Como os portadores desta enfermidade evoluem, em sua grande maioria, para perda total das funções renais, o transplante renal ou o emprego de uma terapêutica dialítica faz-se...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Bazanelli, Ana Paula [UNIFESP]
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2011
País:Brasil
Institución:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Repositorio:Repositório Institucional da UNIFESP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.unifesp.br:11600/8876
Acceso en línea:http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/8876
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Adiponectina
Circunferência da cintura
Insuficiência renal crônica
Obesidade abdominal
Diálise peritoneal
Gordura abdominal
Adiposidade
Descripción
Sumario:A doença renal crônica (ORC) é uma síndrome clínica decorrente da perda lenta, progressiva e irreversível das funções renais. Como os portadores desta enfermidade evoluem, em sua grande maioria, para perda total das funções renais, o transplante renal ou o emprego de uma terapêutica dialítica faz-se necessário para substituir a função excretória dos rins. A hemodiálise e a diálise peritoneal são modalidades dialíticas empregadas na atualidade. Embora desnutrição energético-proteíca ainda seja uma condição comum entre os pacientes em diálise, a prevalência de sobrepeso e obesidade é e1evada nesses pacientes. Particularmente nos pacientes em diálise peritoneal é frequente o aumento de gordura corporal após o início da terapia dialítica, sendo que esse acúmulo ocorre predominantemente na região abdominal. Dentre os métodos disponíveis para avaliação da adiposidade abdominal, a circunferência da cintura merece destaque por ser um método simples, confiável e apresentar excelente associação com a gordura abdominal avaliada por métodos padrão-¬ouro como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética na população em geral. Na DRC, um estudo recente do nosso grupo com pacientes na fase não dialítica confirmou esse achado demonstrando uma forte correlação da circunferência da cintura com a gordura abdominal visceral e subcutânea, avaliadas por meio da tomografia computadorizada. Nos pacientes em hemodiálise e em diálise peritoneal essa associação nunca foi descrita. Especialmente nos pacientes em diálise peritoneal, algumas particularidades relacionadas à modalidade dialítica Como a presença do cateter na região abdominal, a distensão abdominal causada pela infusão da solução de diálise e a presença frequente de hérnias suscitam dúvidas sobre a confiabilidade da circunferência da cintura como um marcador de adiposidade abdominal nestes pacientes. o tecido adiposo é um órgão endócrino metabolicamente ativo capaz de secretar mal série de adipocinas. Dentre elas, a adiponectina destaca-se por suas propriedades antiaterrogênicas, anti-inflamatórias e pelo seu papel benéfico sobre a resistência a insulina. Assim como na população geral e em diversas condições clínicas, na DRC as concentrações plasmáticas de adiponectina diminuem conforme o aumento da gordura corporal, principalmente a gordura abdominal. Visto que os pacientes em diálise peritoneal tendem a aumentar a gordura abdominal ao longo do tempo em terapia dialítica, identificar um método simples e confiável de adiposidade abdominal e, além disso, que seja capaz de predizer os níveis de adiponectina seria de grande importância no cuidado desses pacientes. Desta forma, a presente tese resultou em 2 estudos, descritos resumidamente abaixo:Estudo 1. Objetivo: Avaliar se a circunferência da cintura e um bom marcador de adiposidade abdominal em pacientes em diálise peritoneal. Método: Foram incluídos 107 pacientes prevalentes em diálise peritoneal (56% homens, idade 52± 17 anos, 35% diabéticos, IMC 24,8±3,9 kg/m2). A gordura do tronco, medida pela absorptometria de raios=X de dupla energia, foi utilizada como referência. A circunferência da cintura foi medida no nível umbilical (média de 3 medidas). As avaliações' foram realizadas após drenagem do liquido de diálise da cavidade abdominal, no inicio do estudo e após 6 meses. Resultados: A circunferência da cintura apresentou forte correlação com a gordura do tronco (r=' 0,81; P<0.001). Ajustando para gênero, idade, tempo em diálise e IMC, a circunferência da cintura esteve independentemente associaada com a gordura do tronco (ß=0,30; P<0,001; R²= 0,77). A concordâciaa entre os métodos foi de 0,59 (teste Kappa) e a área sobre a curva (curva ROC) 0,90. Na análise prospectiva, as mudanças na circunferência da cintura correlacionaram-se com as mudanças na gordura do tronco (r= 0,49; P<0,001). 0 teste Kappa foi de 0,48, indicando uma concordância moderada entre os métodos. A curva ROC mostrou que a circunferência da cintura foi capaz de detectar as mudanças na gordura do tronco (área sobre a curva de 0,76). Na análise de regressão logística, ajustando para gênero, idade e IMC, £oi observado que o aumento da circunferência da cintura esteve independentemente associado com o aumento da gordura do tronco. Conclusão: 0 método da circunferêcia da cintura pode ser considerado um bom marcador de adiposidade abdominal em pacientes em diálise peritoneal. Esltudo 2. Objetivo: Investigar se a circunferência da cintura é capaz de predizer as concentrações plasmáticas de adiponectina em pacientes em diá1ise peritoneal. Métodos: Foram incluídos 115 pacientes prevalentes em diálise peritoneal [57% homens, 31% diabéticos, idade 52,8±16,1 anos, IMC 25,0±4,3 kg/m2, tempo em diálise 13 (5-33) meses]. A circunferência da cintura foi medida no nível umbilical (média de 3 medidas), e a concentração sérica de adiponectina pelo método ELISA. As avaliações foram realizadas após drenagem do líquido de diálise da cavidade abdominal, no inicio do estudo, após 6 e 12 meses. Resultados: A circunferência da cintura corre1acioonou-se inversamente com a adiponeccina (r=-0,48; P<0,001). Ajustando para gênero, idade, presença de diabetes, depuração peritoneal e função renal residual, a circunferência da cintura foi um determinante independente dos níveis séricos de adiponectina (ß= -0,52; 95% CI -0,73 a 0,31; P<0,001). Na análise prospectiva, após ajuste para gênero, idade, presença de diabetes, depuração peritoneal e função renal residual, as variações da circunferência da cintura estiveram associadas com as variações de adiponectina. Para cada aumento de 1 cm na circunferência da cintura, houve uma redução de 0,39 mg/L nos níveis de adiponectina (p <0,001). Conclusão: A circunferência da cintura esteve associada com a adiponectina e foi capaz de predizer as variações dos níveis séricos dessa adipocina ao longo do tempo em pacientes em diálise peritoneal.