Conversas com florestas viventes: política, gênero e festa em Sarayaku (Amazônia equatoriana)

Esta pesquisa é uma reflexão com o Povo Originário Kichwa de Sarayaku, Amazônia equatoriana, sobre seus modos de conceber e praticar aquilo que chamamos de \"política\". Dentre as várias traduções na língua kichwa/runa shimi, partimos daquela que aponta para a política enquanto um ato de c...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Santos, Marina Ghirotto
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2023
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-29092023-153658
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-29092023-153658/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Amazon
Amazônia
América Latina
Cosmopolítica
Cosmopolitics
Ecuador
Equador
Extractivism
Extrativismo
Gender
Gênero
Indigenous politics
Indigenous women
Latin America
Mulheres indígenas
Políticas indígenas
Povos Runa
Runa people
Sarayaku
Descripción
Sumario:Esta pesquisa é uma reflexão com o Povo Originário Kichwa de Sarayaku, Amazônia equatoriana, sobre seus modos de conceber e praticar aquilo que chamamos de \"política\". Dentre as várias traduções na língua kichwa/runa shimi, partimos daquela que aponta para a política enquanto um ato de contar histórias e, mais especificamente, de conversar (kwintana), perseguindo seus efeitos. Entendendo o trabalho etnográfico também como um tipo de conversa, a tese está organizada ao redor de cinco substâncias que permearam, justamente, a maioria de nossas conversas: sangue, petróleo, terra, cerveja de mandioca e dilúvio. Estas substâncias têm o poder de falar algo sobre as teorias e os modos de existência Runa; suas formas de resistências, especialmente anti-extrativistas; e as maneiras pelas quais este povo segue cultivando a autonomia enquanto defende o território, aqui chamado de Floresta ou Selva Vivente (Kawsak Sacha). Seguindo-as, observamos que a ação política Runa - melhor entendida em termos de cosmopolítica - escapa quaisquer estabilizações: com, contra e além do Estado, articula sujeitos, tempos-espaços, instâncias de poder, festas, existências vegetais, substâncias e relações que não encontram espaço nas práticas modernas de política, tampouco nas grandes narrativas da história que as sustentam. Neste caminho, dedicamos especial atenção às conversas com mulheres Runa e suas formas de habitar \"a política\". Voltamo-nos continuamente aos mundos dos roçados (chakra), da cerveja de mandioca (lumu aswa) e do cuidar (kuyrana), enfatizando seus entrelaçamentos com as atuações das mulheres em organizações e coletivos indígenas, sejam eles mistos ou apenas de mulheres. Sugerimos que o gênero é um idioma importante das conversas que instituem mundos, sustentam a multiplicidade da floresta e resistem à sua destruição. Enquanto suas práticas buscam cultivar melhores modos de existência na Terra e com a Terra, se aproximam e se afastam de diferentes feminismos, abrindo espaços para mais uma história a respeito da ação política das mulheres.