Medicina e espiritualidade no campo da saúde

Este livro trata de uma pesquisa em perspectiva sócio-antropológica, que faz com que uma questão aparentemente médica vá sendo revelada como condição sócio-médica. A natureza desta perspectiva alimentou as escolhas dos métodos e técnicas de coleta e análise de informações adotadas pelo autor, Rodolf...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Puttini, Rodolfo Franco [UNESP]
Formato: livro
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2011
País:Brasil
Recursos:Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Repositorio:Repositório Institucional da UNESP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.unesp.br:11449/259654
Acesso em linha:https://hdl.handle.net/11449/259654
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:Sociologia da saúde
Sociologia médica
Sociologia do conhecimento em saúde
História da medicina no Brasil
Doutrina espírita
Kardec, Allan (1804 - 1869)
Espiritismo
Hospitais espíritas
Descrição
Resumo:Este livro trata de uma pesquisa em perspectiva sócio-antropológica, que faz com que uma questão aparentemente médica vá sendo revelada como condição sócio-médica. A natureza desta perspectiva alimentou as escolhas dos métodos e técnicas de coleta e análise de informações adotadas pelo autor, Rodolfo Puttini, cujas discussões foram elaboradas como tese de doutoramento em Saúde Coletiva e outra boa parte foi fruto de produções recentes. A imaginação sociológica de Puttini revelou um problema caleidoscópico. De forma bastante elaborada o autor foi dando contorno a um fato social pouco visível e, para isso, explorou as interfaces entre o campo de práticas de saúde e de religião. O livro está dividido em três partes, as duas primeiras apresentam ensaios com um desfecho na terceira parte que se refere ao trabalho de campo. Composta por quatro capítulos, a primeira parte introduz o leitor ao problema da cura espiritual partindo de um caso índice do fenômeno. A questão do curandeirismo, que perpassa o campo de estudos religiosos no Brasil, é aprofundada na perspectiva histórica das práticas legais e legítimas na sociedade. Ao propor uma hipótese fundamental, a hibridização entre medicina e espiritismo para entendimento da institucionalização dos hospitais espíritas e seu modo de organização e funcionamento, o autor analisa com pormenor a possibilidade do cuidado terapêutico hibridizado, anotando diferenças entre a abordagem da antropologia das práticas religiosas e da sociologia das práticas alternativas, complementares e integrativas em saúde. A segunda parte do livro, composta por dois ensaios primordiais, aprofunda os elementos constitutivos da religião, criada em 20 Lyon na França e muito difundida a medicina espírita no Brasil do século XX. Vários conceitos são detidamente analisados e o que chama muita atenção é a difusão dessa religião nos estratos sociais letrados e privilegiados economicamente da sociedade brasileira, entre eles médicos espíritas. Pode-se compreender desse modo a forte relação desenvolvida no Brasil entre espiritismo e a medicina. A terceira parte, Etnografia do espaço terapêutico híbrido, descreve o trabalho de campo. Nesse exercício etnográfico é que melhor se nota a “economia das trocas simbólicas” entre profissionais da saúde e profissionais da religião, bem como de profissionais da saúde leigos e religiosos. No estudo crítico do campo simbólico da saúde, aparece a possibilidade de uma medicina espírita. Esse livro interessa a diferentes públicos, como estudantes e profissionais, dos campos do conhecimento da saúde, da religião, das ciências sociais e outros. Sobretudo, porque o autor traduz um objeto até então pouco visível, qual seja: a hibridização construída na interface das práticas de saúde e religiosas nos hospitais espíritas brasileiros. Interessa, também, a diferentes públicos porque Puttini apresenta para o campo dos estudos sociais da religião e saúde uma inovadora perspectiva de análise, que procura a explicação para as curas não biomédicas na complementaridade entre religião e saúde. Por fim, Medicina e espiritualidade no campo da saúde indica como a história da medicina no Brasil está fortemente conectada com o poder instituído e com as práticas religiosas. Dessa maneira, explicita nossas heranças e nos desafia a compreender os efeitos da trajetória de privilégio, caridade e direito para construirmos um sistema público de saúde baseado no pluralismo de práticas terapêuticas de cuidado e cura.