\"Dá pra colar velcro com camisinha\": reflexões sobre a prevenção às ISTs nas práticas homossexuais de jovens e adolescentes cisgêneras

Pesquisas sobre sexualidade juvenil apontam como as práticas e os desejos homossexuais fazem parte da trajetória de muitas jovens e adolescentes. Ao mesmo tempo, verifica-se que a sexualidade entre mulheres ainda enfrenta diversas dificuldades no campo da saúde, como menor conhecimento sobre ISTs po...

Full description

Bibliographic Details
Author: Santos, Fernanda Farias dos
Format: master thesis
Status:Published version
Publication Date:2025
Country:Brasil
Institution:Universidade de São Paulo (USP)
Repository:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-11082025-135844
Online Access:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-11082025-135844/
Access Level:Open access
Keyword:Bisexuals
Bissexuais
Female Sexuality
Healthcare
Jovens
Lesbians
Lésbicas
Saúde
Sexualidade Feminina
Youth
Description
Summary:Pesquisas sobre sexualidade juvenil apontam como as práticas e os desejos homossexuais fazem parte da trajetória de muitas jovens e adolescentes. Ao mesmo tempo, verifica-se que a sexualidade entre mulheres ainda enfrenta diversas dificuldades no campo da saúde, como menor conhecimento sobre ISTs por parte das mulheres, discriminação tanto por parte de profissionais da saúde quanto em contextos sociais, como família, escola e trabalho. Apesar de avanços nas discussões e certa liberdade em torno da sexualidade feminina e da homossexualidade, as demandas específicas de saúde e práticas entre mulheres carecem de visibilidade e atenção específica. Essa pesquisa buscou compreender como jovens e adolescentes com práticas homossexuais têm experienciado sua sexualidade e encontrado informações e estratégias confiáveis para vivenciá-la de forma segura e saudável. Foram realizadas seis entrevistas com jovens cisgêneras, de 17 e 18 anos, que se identificam como lésbicas, bissexuais ou pansexuais. Os resultados apontam que questões de gênero ainda impactam suas experiências, como a negação da sexualidade feminina sem objetivo reprodutivo ou responsiva ao desejo masculino e à reprodução de padrões heteronormativos. Com relação aos cuidados, os resultados coincidem com pesquisas anteriores que demonstram como o sexo entre mulheres cis segue invisibilizado nas discussões e ações de prevenção e cuidados com a saúde. A partir do entendimento das dinâmicas que acontecem nas práticas sexuais das jovens, podemos observar como, apesar de a sexualidade feminina heterodissidente enfrentar barreiras para ser vivida de maneira aberta e segura, essas jovens criaram formas de se cuidar e de exercer sua sexualidade, mesmo que de maneira discreta. A sugestão é que sejam realizadas mais pesquisas para entender outras dinâmicas de sexualidade, os riscos e as possibilidades de cuidado nas relações sexuais entre mulheres cisgêneras. É essencial que essas pesquisas levem em conta o que já é desenvolvido pelas próprias jovens, no sentido de fortalecê-las como sujeitos de direitos e agentes de transformação.